Escultura De 10 Mil Anos Encontrada Na Turquia É Semelhante À Estátua Achada Na Bolívia

Sanliurfa, na Turquia, atualmente a região que contém os mais antigos e enigmáticos sítios arqueológicos do mundo, continua nos presenteando e surpreendendo com novas ruínas e cenas do passado.

Sítio Arqueológico de Sayburç

Em junho de 2021, o Museu de Arqueologia Şanlıurfa, na Turquia, foi informado que durante uma reforma, uma família havia encontrado ruínas de antigas paredes de pedra, bem debaixo do terreno de sua casa, em uma vila na região de Sayburç. O museu enviou alguns arqueólogos e pesquisadores para o local para analisar as possíveis ruínas e julgar se realmente eram antigas.

Ao retornar, a equipe de pesquisas comunicou que, não só eram antigas, quanto provavelmente faziam parte do grupo de construções de Tas Tepeler, (A terra da Grande Transformação), nome dado a um grupo de 12 sítios arqueológicos localizados na região, um deles, sendo o famoso Göbekli Tepe.

Vinte e três dias depois, no mês de julho de 2021, já haviam duas equipes de arqueólogos profissionais realizando escavações no local, uma esquipe do próprio Museu Arqueológico de Sanliurfa, e outra da Universidade Istambul, porém, o líder das duas equipes é o mesmo, o Dr. Eylem Özdoğan, especializado nas escavações de Tas Tepeler.

 

Mapa dos 12 sítios arqueológicos que fazem parte de Tas Tepeler, Turquia.

O que foi encontrado?

Logo no início das escavações, um edifício circular, contendo o que parecia ser um poço, foi encontrado. Ao longo da parede do edifício, que tem cerca de 11 metros de diâmetro, foi encontrado um “balcão” de rocha com cerca de um metro de altura, mas dessa vez, cavado diretamente no duro leito rochoso.

Ao continuar as escavações, logo ficou claro que não se tratava de um balcão, pois sua circunferência abarcava toda a forma em questão. A conclusão dos pesquisadores foi a mais óbvia, tratava-se de uma piscina de banho, semelhante a as que gregos e romanos utilizavam, porém, muito mais antiga, datando de 6-8 mil anos a.C., ou seja, aproximadamente 10 mil anos atrás.

Mais interessante ainda, são as paredes da piscina, que contém cenas entalhadas na própria pedra, com representações de homens e animais.

Olhando a imagem de frente, encontram-se cinco figuras em relevo, esculpidos na superfície diretamente na estrutura rochosa. Nas três figuras do lado direito, há um humano representado de frente, segurando seu pênis, com dois leopardos idênticos o encarando, um de cada lado. Ambos os leopardos estão de lado, com suas bocas abertas e seus dentes visíveis.

Já do lado direito da imagem, há outro homem, que parece estar enfrentando um touro, empunhando em sua mão direita o que os pesquisadores especulam ser uma “cobra de cabeça para baixo”. Contudo, existe a possibilidade do item segurado ser uma funda, ou outro tipo de arma com corda, da época, a invés de uma cobra. O rosto do homem está voltado para o touro e o touro parece estar o atacando.

A possível piscina de banho de Sayburç.

O que é representado na cena e quem esculpiu?

Segundo os arqueólogos, historiadores e antropólogos que analisaram as gravuras entalhadas na rocha, trata-se de uma cena de caça. Eles especulam que a imagem conta a história de dois homens que foram atacados por leopardos enquanto caçavam búfalos. Embora essa explicação tão simples não pareça nem um pouco provável, não estamos aqui para discordar das teorias dos doutores (sim, estamos!).

Outros pesquisadores independentes, também especularam que a cena poderia fazer parte de algum tipo de ritual, outros acreditam a imagem representa o primeiro registro de zoofilia da história, mas dizem isso apenas apoiando-se no fato do homem da direita estar segurando seu pênis, enquanto os leopardos o encaram. Ainda não se tem um consenso sobre o que a imagem representa, mas uma coisa é certa, o fato de um dos personagens estar segurando seu falo, não necessariamente significa uma ação sexual.

Diversas culturas do mundo antigo tinham o costume de esculpir estatuas com falo, inclusive, várias delas esculpiam esculturas que consistiam apenas em falos gigantes. Por esse motivo, devemos ter calma e pesquisar mais, para tentar entender qual a real ligação que esses povos tinham com esse membro.

Sobre o povo responsável pela piscina ornamentada, também ainda não se tem informações concretas, como nome, etnia e outras formas de identificação, apenas foi apontado pelos pesquisadores que “com toda a certeza, as pessoas que construíram este complexo, aprenderam com o povo que construiu Göbekli tepe, pois, além de ser em um local próximo (11 km), observam-se enormes semelhanças na arquitetura e no modo de entalhar as gravuras na rocha”, disse o Dr. Eylem Özdoğan, que completou em outra frase “sabemos que os construtores de Sayburç viveram aproximadamente 2 mil anos depois dos construtores de Göbekli tepe, por isso, a julgar pelas semelhanças já citadas, podemos concluir que eles provavelmente eram descendentes dos autênticos construtores do templo ancestral de Göbekli tepe”.

 

Imagem panorâmica da parede da “piscina”.
Pilares de Göbekli Tepe, contendo o búfalo e o leopardo entalhados na mesma posição e mesma forma de Sayburç.

Curiosidade

Obviamente não visitei o sítio arqueológico de Sayburç, muito menos o de Göbekli tepe, mas como historiador, não pude deixar de notar um detalhe bastante interessante nas imagens esculpidas. Já foi notada pelos pesquisadores uma enorme semelhança entre o que acredita-se ser o “colar” do Homem de Sayburç, personagem que está entre os leopardos, e o do chamado “Homem de Urfa” encontrado também na Turquia, datando de aproximadamente 9 mil anos, mas a semelhança não acaba nessas duas esculturas.

Como já dito, outros pesquisadores já haviam notado a semelhança entre os detalhes sobre os peitos do Homem de Sayburç e do Homem de Urfa, mas se você observar bem, o ¹Monólito de Pokotia, artefato que foi encontrado em Tiwanaku, na Bolívia, também possui detalhes parecidos sobre o peito. Obviamente não são detalhes idênticos, mas se você pensar bem, nenhuma das três esculturas é idêntica, procuramos exatamente por semelhanças entre elas, e não podemos negar que o “colar” é uma delas.

Artefatos conhecidos como Homem de Sayburç, Homem de Urfa e Monólito de Pokotia, respectivamente.


Nota do editor

¹O Monólito de Pokotia foi descoberto em dezembro de 2001 num sítio Pré-Incaico, a seis quilômetros de Tiwanaku, na Bolívia. Há nele inscrições proto-semíticas (hebraicas).


Referências

Instagram do autor da postagem: https://www.instagram.com/contextologia/

www.youtube.com/c/AncientArchitects
www.timelineindex.com
www.dailysabah.com
www.mapcarta.com/34817158

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