Cientistas Israelenses Desenvolvem Sistema de Inteligência Artificial que Pode Prever Palavras e Frases em Tabletes de Argila Parcialmente Danificados

Rachaduras ou pedaços quebrados, são coisas bastante comuns para os que estudam e trabalham a escrita cuneiforme, apenas 0,8% dos tabletes em argila estão perfeitamente legíveis. Mas e se isso não importasse?

E se um “robô” pudesse decodificar as linhas destruídas, já traduzindo para você? É o que propõe uma equipe de cientistas e técnicos em informática de uma Universidade Israelita.

A Mesopotâmia e o Cuneiforme

Território Mesopotâmico.

Antes de falarmos do programa em si, vejamos uma breve introdução sobre a Mesopotâmia.

Mesopotâmia, cujo nome significa “terra entre rios”, e trata-se de uma região desértica localizada entre os rios Tigre e Eufrates. Com toda certeza já foi uma das regiões mais importantes do mundo, abrangendo o território que atualmente consiste no Iraque, bem como partes do Irã, Turquia, Síria e Kuwait.

Por ter sido uma região de passagem, a Mesopotâmia foi ocupada por vários povos de diferentes origens, ao longo do tempo, como os famosos sumérios, assírios, babilônicos e outros, que em suma, eram povos guerreiros, que expandiam seus domínios por todas as regiões possíveis. Mas não se engane, eles não eram só guerreiros, mas sim “também eram guerreiros”, pois seu legado cultural e intelectual, influenciou a nossa civilização de tal maneira, que se não fosse por eles, talvez nem teríamos (e se tivéssemos com certeza seria diferente) astronomia, geometria, matemática e diversas outras áreas que tiveram origem na mesopotâmia. 

Esses povos utilizavam um tipo de escrita por símbolos, que já era manipulada desde aproximadamente 4.500 anos antes de Cristo. A escrita é logo-silábica, foi usada em muitas línguas antigas do antigo oriente, mas caiu em desuso com o passar do tempo. “Cuneiforme” é como chamamos a forma escrita dessa linguagem, que consiste em símbolos impressos por cunhas, em tabletes de argila. Gabriel Stanovsky, um Doutor em Tecnologia da Universidade de Jerusalém, disse à revista “New Scientist”:

“As tábuas de argila são o principal registro das culturas mesopotâmicas, incluindo textos religiosos, registros burocráticos, decretos e muito mais, porém, muitas dessas informações se perderam, devido ao estado dos artefatos, por isso, eles são alvo de extensos esforços de transcrição e transliteração”, acrescentou o cientista.

Tablete BM 2345, Cuneiforme Neo-Assírio, Louvre, França..

A Solução do Problema

O problema é que a argila não é tão resistente assim, e muitas dessas tabuletas estão demasiadamente destruídas, tornando-as uma pedra no sapato dos arqueólogos e historiadores. Pensando nisso, uma equipe da Jerusalem’s Hebrew University criou um mecanismo que pode decodificar e prever palavras em linhas de tabletes danificados, assim como quando você digita uma palavra no Google e a função de previsão automática é ativada.

A inteligência artificial é um programa de computador baseado em algoritmos, que simulam a inteligência humana de forma mais organizada e rápida, e aplicam-na em uma questão ou problema. A IA tornou-se recentemente uma grande aliada dos que trabalham com processamento de linguagem, pois pode ser alimentada e atualizada de acordo com a evolução linguística. Essa em questão, criada pelos Israelitas, foi alimentada com o vocabulário de 104 idiomas, segundo reportagem do Daily Mail.

Tablete TC 214, usado para testar a AI desenvolvida.

Shia Gordin, diretor da “Digital Humanities Ariel Lab” da Universidade Ariel de Israel, afirma que antes da IA ser utilizada, os arqueólogos e especialistas em linguagem trabalhavam de forma “subjetiva e demorada”, o que mudou totalmente após a inclusão do novo sistema. “O método manual está se tornando cada vez mais difícil, pois muitos tabletes já se deterioraram tanto, que os pesquisadores dependem de dicas contextuais para preencher manualmente o texto que falta”, escreveu Gordin.

Gordin explicou que a equipe usou um modelo já treinado em línguas semíticas, incluindo o hebraico, todas semelhantes ao acadiano, e em seguida, testaram o sistema ocultando partes existentes do tablete interpretado. O modelo previu as palavras que faltavam com “90 por cento de precisão”. Assim, a Máquina Babilônica foi usada para preencher as lacunas nas antigas tabuletas persas datadas entre os séculos VI e IV a.C.

Imagem ilustrativa mi empresa. Fonte: google.com/img

Os autores desenvolvedores desse sistema irão apresentar formalmente, em novembro, na “Conferência sobre Métodos Empíricos em Processamento de Linguagem Natural”, um artigo científico contendo detalhes e informações sobre a Inteligência Artificial (IA) utilizada pelo programa. Mas já podemos ficar bastante animados, pois em uma entrevista o Dr.Yuval Noah Harari, Historiador chefe da equipe que desenvolveu o sistema, afirma que “os scripts de 10.000 tabuletas cuneiformes datando de 2500 a.C. a 100 d.C. foram inseridos no novo programa de IA. Conhecido como “o motor da Babilônia”, o novo modelo de IA previu com sucesso uma série de palavras, frases e sentenças perdidas com precisão de 90%.”


Referências

www.ancient-origins.net  

www.ancientarchtects.com

www.brasilescola.com.br

www.suapesquisa.com

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