143 Novos Geoglifos Recentemente Descobertos No Deserto De Nazca, No Peru

Mais de 140 NOVAS linhas de Nazca foram descobertas no deserto peruano de Nazca, incluindo misteriosos humanoides, uma “cobra de duas cabeças” e até baleias.

As Linhas de Nazca são um conjunto de geoglifos antigos localizado no deserto de Nazca, no sul do Peru. Eles foram designados como um Patrimônio Mundial e hoje em dia são talvez, os mais conhecidos geoglifos do mundo. O alto planalto árido de Nazca se estende por mais de 80 km entre as cidades de Nazca e Palpa nos Pampas de Jumana, cerca de 400 km ao sul de Lima. Embora alguns geoglifos locais lembrem a cultura de Paracas, estudiosos acreditam que as Linhas de Nazca foram criados por outra civilização.

As centenas de figuras individuais variam em complexidade, desde simples linhas até beija-flores estilizados, aranhas, macacos, peixes, tubarões, lhamas e lagartos. Agora, após as novas descobertas, também contam com representações de outros animais, como baleias, cobras de duas cabeças, e alguns acreditam que até dinossauros.

A história das linhas.

As linhas de Nazca começaram a ser “descobertas” pelos arqueólogos academicamente em 1927 quando o piloto Toribio Mejia Xespe as avistou ao sobrevoar a região. São mais de 13 mil traços que formam mais de 800 figuras que se estendem por mais de 65 quilômetros. As enormes figuras encontradas no deserto peruano são tão grandes que algumas podem ser vistas do espaço.

No início da década de 1940, o antropólogo americano Paul Kosok estudou os sistemas de irrigação das antigas culturas sul-americanas e logo ficou fascinado com as linhas de Nazca e pela civilização que as teria feito.

Não muito tempo depois, ele voltou acompanhado pela matemática e arqueóloga Maria Reiche, que ajudou Kosok a estudar as marcas durante vários anos. Juntos, Kosok e Reiche criaram uma das primeiras teorias sobre as razões da existência das Linhas de Nazca: que eram marcadores no horizonte para indicar onde o sol e outros corpos celestes se erguiam ou se punham.

Enquanto Kosok passou cerca de uma década estudando as Linhas de Nazca, Reiche passou quase o resto de sua vida estudando os fenômenos, revisando sua teoria para sugerir que a obra de arte era na verdade um mapa astronômico de constelações. Desde Kosok e Reiche, numerosos arqueólogos, antropólogos e outros cientistas estudaram a área, e há inúmeras explicações e teorias sobre o significado das linhas.

No final da década de 1960, o astrônomo americano Gerald Hawkins testou as teorias de Kosok e Reiche sobre as linhas e descobriu que não havia provas suficientes para confirmar sua correspondência com os locais das estrelas e outros fenômenos astronômicos, o que acabou gerando novas teorias sobre o assunto.

Na terra, elas são quase imperceptíveis, mas vistas de cima, formam figuras incríveis e misteriosas, o que fez alguns pensarem que eram usadas como maneira de sinalização. Desta maneira as marcas despertaram grande interesse do mundo acadêmico, pois não havia meios conhecidos de se sobrevoar na época em que elas foram feitas.

As figuras geraram tanto interesse, que em 1994, a planície de Nazca foi considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, a fim de proteger as antigas criações da invasão humana moderna.

Uma das figuras descobertas em 1927, identificada como um beija-flor. – imagem retirada do google

Novos geoglifos descobertos.

Tais geoglifos ganharam mais destaque recentemente, pois arqueólogos da Universidade Yamagata do Japão revelaram que 143 novas linhas de Nazca foram descobertas. A descoberta se deu devido a uma pesquisa de 15 anos que utilizou imagens de satélite, drones e um sofisticado sistema de digitalização que se utiliza da tecnologia AI (inteligência artificial).

“É em uma área que frequentemente investigamos, mas não sabíamos que o geoglifo existia”, disse o professor Makato Sakai, (líder da equipe japonesa que conduziu a pesquisa) por e-mail ao The Verge, “É uma grande conquista.” finalizou dizendo.

Os geoglifos recém-descobertos, retratam formas humanas e uma ampla variedade de animais, incluindo camelídeos, um grupo de mamíferos que inclui lhamas e alpacas, gatos, peixes, cobras, e até baleias. Os arqueólogos japoneses pertencentes a equipe que descobriu as novas linhas afirmam que elas datam de pelo menos 200 a.C, e foram identificadas principalmente no lado oeste da área, através de trabalho de campo e analises de imagens de alta resolução. Os maiores chegam a medir aproximadamente 100 metros de comprimento, menores em relação aos antes já descobertos, mas ainda assim, enormes.

Um dos novos geoglifos descobertos, identificado pela equipe japonesa como uma cobra de duas cabeças – Imagem retirada do google.

Alguns desses geoglifos só foram descobertos devido ao uso do “Watson”, o sistema de inteligência artificial da IBM (International Business Machines Corporation). Quando a equipe japonesa e a IBM Japão analisaram os dados com o software chamado Watson Machine Learning Community Edition, eles identificaram várias formas “biomórficas” que não puderam ser identificadas a olho nu.

Alguns acreditam que esses grandes projetos foram criados como uma mensagem aos deuses, ou possivelmente por razões astronômicas como já dito. Outros acreditam inclusive que as figuras eram uma forma de se comunicar com seres extraterrestres. Os especialistas acham que algumas das gravuras maiores, geralmente com a forma de animais, indicariam locais de rituais religiosos.

Todas essas figuras foram criadas removendo as pedras negras e avermelhadas que cobrem as terras deserticas, expondo a areia branca abaixo, e assim formando as imagens. Muitos dos projetos menores estavam localizados ao longo de caminhos e trilhas, o que poderia indicar que as gravuras eram usadas como indicadores de regiões ou de locais de rituais, como já dito.

Ainda são se tem uma posição concreta sobre o porquê esses geoglifos foram criados, o que aumenta ainda mais o mistério que os cerca.

Novo geoglifo identificado pela equipe japonesa como uma espécie de dinossauro, com algumas figuras parcialmente apagadas pelo tempo ao seu redor. – https://www.thesun.com.uk/

propósito. O grupo representacional, representando animais e figuras antropomórficas, inclui figuras que geralmente medem menos de 50 metros. O outro grupo, chamado pelos especialistas de abstrato, inclui formas geométricas muito maiores e mais complexas que chegam a medir mais de 110 metros.

Os pesquisadores planejam usar outro sistema da IBM, o sistema chamado PAIRS, com o intuito de organizar dados coletados do solo nos últimos 10 anos e realizar mais trabalhos de base para criar um mapa geológico dos geoglifos, para tentar chegar a uma conclusão mais concreta e um entendimento detalhado de onde as figuras estão localizadas e quando e como elas foram usadas.

A implementação desses sistemas ​​neste estudo foi mais um teste do que um projeto completo, mas após o sucesso da primeira pesquisa, a IBM e a Universidade de Yamagata assinaram um acordo conjunto para continuar seu trabalho nessa área. O próximo passo é agregar e analisar imagens aéreas e dados recolhidos no deserto, para criar uma imagem nova e abrangente das Linhas de Nazca. Fazer isso, disse Sakurai, um dos líderes da pesquisa, “dará uma visão melhor das pessoas que fizeram esses geoglifos e com que finalidade”.

Os pesquisadores pretendem obter um olhar mais atento à visão de mundo das pessoas que criaram e usaram esses geoglifos, mas para isso, serão necessários mais alguns anos como já foi dito, até lá, com certeza esperaremos ansiosos pelos resultados.

Geoglifo identificado pela equipe japonesa como uma espécie de peixe. – https://www.thesun.com.uk/

Possível Civilização responsável pelos geoglifos.

Ainda não se tem certeza sobre qual civilização teria confeccionado as figuras, mas muitos pesquisadores se utilizam da lógica para afirmar que a civilização responsável pelos geoglifos é a civilização de Nazca, que habitou o território por centenas de anos, e teriam se utilizado das imagens para diversos motivos.

A cultura Nazca floresceu do terceiro século a.C ao oitavo século d.C, ao lado da costa seca do sul do Peru, nos vales fluviais do rio Grande de Nazca e do vale do Ica. A antiga sociedade era composta de chefes locais e centros regionais de poder centrados em torno do Cahuachi, um local cerimonial não urbano. A subsistência era baseada principalmente na agricultura. Estudos de iconografia sobre cerâmica e restos escavados indicam que o povo Nazca se utilizava de dutos que canalizavam água, bem como tinha uma dieta variada composta de milho, abóbora, batata-doce, mandioca achira e peixes.

Eles também utilizaram várias culturas não alimentares, como algodão para tecidos, coca, cacto de São Pedro e cabaças, que também eram usadas para ilustrar as atividades da vida cotidiana. Em termos de recursos animais, os Nazca usavam as lhamas para sacrifícios nos Cahuachi.

As lhamas também eram comumente exploradas como animais de carga, por sua lã e como fonte de carne, o que casa com a teoria deles terem feitos as figuras, pois se encontram lhamas em meio ao geoglifos. Peixes e baleias eram comumente adorados pela civilização, o que também combina com os geoglifos, que contém imagens destes animais.

Escultura de cerâmica identificada como um peixe ou baleia, encontrada nas ruinas de uma antiga vila Nazca – imagem retirada do wikipedia.

Sem dúvida, devido à natureza extrema do ambiente circundante, grande parte das crenças religiosas de Nazca se concentrava em Deuses que, segundo suas crenças, podiam lhes fornecer condições para conseguir sobreviver. Grande parte da arte de Nazca retrata poderosos deuses da natureza, como a mítica baleia assassina, os colhedores e o gato manchado.

Assim como a cultura Moche, que foi sua contemporânea, os xamãs Nazca aparentemente usavam drogas alucinógenas, como o líquido do cacto de São Pedro, para induzir visões.

Como já dito, não se tem certeza sobre qual civilização teria feito os geoglifos, e nem por qual motivo, mas é para isto que estamos aqui, para analisar as teorias e estudar as evidências, afins de finalmente resolver os Enigmas do nosso mundo.


Referências

NYTIMES – Disponível em: <https://www.nytimes.com/>. Acesso em: 23 nov. 2019.

THE SUN – Disponível em: < https://www.thesun.co.uk/>. Acesso em: 23 nov. 2019.

THE VERGE – Disponível em: <https://www.theverge.com/>. Acesso em: 25 nov. 2019.

BBC – Disponível em: <https://www.bbc.com/>. Acesso em: 25 nov. 2019

ESCOLA EDUCAÇÃO – Disponível em: <https://escolaeducacao.com.br/>. Acesso em: 25 nov. 2019

Edson de Almeida

Bacharel em Direito, acadêmico de História e pesquisador da Teoria do Paleocontato e civilizações antigas.

Um comentário em “143 Novos Geoglifos Recentemente Descobertos No Deserto De Nazca, No Peru

  • 10 de dezembro de 2019 em 1:59 pm
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    Artigo interessante e muito bem escrito! Parabéns!

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