Muros Ciclópicos Da Itália Central

Pelas regiões do Lácio Meridional, Frosinone e Latina, na Itália, muros colossais espalham-se por quilômetros em um cenário misterioso que tem sido motivo de controvérsias e debates entre os pesquisadores.

Conforme o pesquisador local Giorgio Copiz, sobre a antiguidade de tais construções megalíticas:

Nem mesmo os antigos romanos souberam definir a proveniência desses monumentos.

No mesmo sentido, Louisa Caroline Tuthil escreveu em History of Architecture: From the Earliest Times:

Em tempo remotos, antes do nascimento de Roma, a Itália era habitada por povos que deixaram monumentos indestrutíveis como um testemunho de sua existência. Essas maravilhosas obras, definidas como ciclópicas, encontram-se densamente dispersas em muitas regiões, e frequentemente situadas no cume de montanhas como ninhos de águias. Tudo isso abre espaço a especulações acerca de quem poderia ter construído semelhantes estruturas em lugares tão inacessíveis e por qual motivo.

Essas obras conhecidas como Muros Poligonais Ciclópicos são, também, tradicionalmente definidas como Acrópoles Megalíticas do Lácio e caracterizadas pela forma irregular dos enormes blocos de pedra e por serem encontradas no alto das montanhas ou em posições estratégicas, muitas vezes isoladas.

Vista da entrada principal de Alatri. Foto Dayana Mello

ORIGEM PELASGA

Existem muitas hipóteses sobre a origem dessas misteriosas construções e a arqueologia tradicional tem demonstrado pouco interesse nelas. Segundo Copiz, o motivo para tal indiferença é a reiterada afirmação da academia de que os muros ciclópicos são criações romanas edificadas no período inicial da república. Contudo, por volta do século I a.C., Vitrúvio, na obra De Architetura, escreveu que a técnica utilizada nos muros megalíticos não era a que se havia adotado em sua época, e, de fato, esse é um testemunho muito importante.

Nessa linha, estudiosos sugerem que essas estruturas foram provavelmente construídas na Idade do Bronze. Escritores e historiadores da antiguidade atribuíram as obra megalíticas aos Pelasgos.

O primeiro estudioso moderno a se interessar pelas edificações foi Petit-Radel (1756-1836), no século XVII, que chegou a conclusão que as ruínas não poderiam ser romanas por causa da técnica utilizada e arquitetura das construções. Ele passou a consultar escritores da Idade Antiga como Estrabo e Pausânias que denominavam a estrutura como Ciclópica ou Pelásgica. Para o arqueólogo, os Pelasgos teriam sido responsáveis pela execução da obra, sendo essa hipótese até hoje a mais aceita entre os pesquisadores que não acreditam na versão dogmática da construção romana. Esses Pelasgos, seriam originários da Ásia Menor ou Anatólia, o que gerou a teoria de que a tecnologia envolvida na construção pode estar ligada aos Hititas.

A arqueóloga Marianna Candidi Dionigi (1756-1826) pesquisou as cidades de Alatri, Arpino, Ferentino, Anagni e Atina, com interesse especial na lenda de que o próprio deus Saturno teria fundado aquelas localidades. Ela ficou particularmente fascinada com os muros de Alatri e também afirmou que tais edificações foram construídas pelos anatolianos. Em seu livro, ela compartilhou a ideia de que somente homens de força extraordinária, com tecnologia para construção de máquinas e grande corporatura poderiam erguer as pedras.

Existe outra tese bastante intrigante de que esses povos do mar eram, de fato, os atlantes. Em verdade, essa teoria diz que tudo foi ao contrário: que os Pelasgos, nessa condição, teriam partido da Itália até Ásia Menor e depois retornado.

Norba. Foto: Dayana Mello

GIGANTES 

Ainda existem hipóteses alternativas de que os muros teriam sido construídos por uma civilização de gigantes, o que poderia ter originado o mito dos ciclopes. Monstruosos humanoides com apenas um olho, representados na literatura de Homero, foram descritos por Hesíodo como aliado dos “deuses” e hábeis artesões civilizados. Como sabemos, Troia se localizava na Anatólia, e claramente tal mito pode ter origem na cultura denominada pelasga.

Sem dúvida, o maior enigma do Muros Poligonais Ciclópicos ainda é sobre qual tecnologia foi empregada para transportar e erguer as pedras na Idade do Bronze, mil anos antes da fundação de Roma?

ALINHAMENTO COM AS ESTRELAS

Como se não bastasse tantos mistérios, lá existe mais um fenômeno importante que podemos observar em várias outras construções megalíticas Pré-Históricas pelo mundo: o alinhamento com as estrelas.

Segundo algumas análises, as ruínas estão alinhadas com a constelação de Gêmeos, o que comprova que os cultos religiosos desse misterioso povo estariam ligados ao céu. Em consoante, o professor Giulio Magli, da Universidade Politécnica de Milão, concorda com a relação entre as construções e  um culto celestial, conforme explicitou no texto Le acropoli megalitiche in Italia no livro Le mura megalitiche: il Lazio Meridionale le tra storia e mito.

Sobre o alinhamento, em entrevista a Revista Enigmas, o pesquisador Giorgio Copiz falou:

As cinco principais cidades do Lácio Meridional são assim denominadas de Pentapoli Satúrniae, de fato, as estrelas centrais daquela constelação (Gêmeos) tinham perfeita correspondência com os lugares marcados pela presença dos Megalíticos Ciclópicos ou Poligonais.

Ferentino. Foto: Dayana Mello

ALATRI

Sempre que me encontrei diante daquela construção titânica…senti uma admiração por uma força humana muito maior do que àquela que me inspirou a visão do Coliseu…uma raça que poderia edificar tais pares deveria já possuir uma importante cultura e leis ordenadas.” Ferdinand Gregorovius – Wanderjahre in italien

As impressões de Gregorovius correspondem a visão da Acrópole ou Muros Megalíticos de Alatri, que tem comprovado alinhamento astronômico e outros fenômenos detectados.

Ornello Tofani, contou-nos em entrevista que essas obras foram feitas por um povo de inteligência superior que pode ter desaparecido por consequência de um grande cataclismo e suas obras megalíticas teriam sido encontradas por civilizações posteriores que não souberam explicar quem as edificou.

Esse povo provavelmente veio do noroeste da Mesopotâmia. Possivelmente, era um povo conhecido como Hatti, ainda antes dos Hititas…Mas ainda há quem afirme que esse povo tenha obtido ajuda de uma raça de gigantes ou até de extraterrestres! O que sei é que foi um povo gigante de mente, cuja capacidade não se encontra mais hoje em dia.

Tofani acredita que essa estrutura poderia ser um templo, e que sua simbologia está relacionada aos povos da Ásia Menor.

Entre os vários fenômenos estudados por Tofani, existe ainda o que está relacionado à arqueoacústica. Segundo análise de Paolo Debertolis, da Universidade de Trieste, foi constatado que de fato existem essas vibrações que são originadas por movimentos tectônicos, podendo causar um relaxamento no organismo.

Tofani ainda nos revelou que Alatri estaria conectada com outras localidades ou sítios arqueológicos, como o Egito e a capital do antigo Império Hitita, levando-se em consideração os dias do Equinócio e do Solstício. Sobre isso, ele afirma:

Nós somos alinhados com Carnac (na França) e Gizé (Egito), em 21 de Dezembro; Hattusa (império Hitita), em 21 de Março e de Setembro; e com a pirâmide de Visoko, em 21 de Junho.

Alatri, portanto, estaria no centro de todo esses alinhamentos, mas ainda não se tem o conhecimento de qual o real motivo dessa suposta reverência dada a essa Acrópole.

Alatri. Foto: Dayana Mello

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André de Pierre

Editor da Revista Enigmas, escritor, historiador, pesquisador, explorador e conferencista.

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