Professor Encontra Muro Megalítico Na Geórgia

Construção megalítica no Cáucaso revela passado ainda obscuro da humanidade.

No último dia 20 (julho/2020), Andrew Siebert, natural de Winnipeg, Canadá e residente em Tbilisi no país da Geórgia, postou um vídeo interessante na página do Facebook MEGALITHOMANIA com a filmagem de um sítio megalítico.

Siebert caminhava pela mata de Gogichaant Ghele, próximo à vila de Chobiskhevi, na região de Borjomi, República da Geórgia, na região do Cáucaso, e quase caiu em um buraco abaixo do que parecia ser uma abertura numa pedra. Ao olhar melhor no barranco próximo, percebeu que aquilo não era uma formação natural. Desceu até a base, quando se deparou com uma formação megalítica de paredes poligonais com uma porta escorada em um bloco de rocha esculpida naquele formato. No vídeo podemos ver sua emoção ao se deparar com tudo aquilo.

Found this the other day. No information about it. Gogichaant Ghele, Chobiskhevi village, Borjomi region, Republic of Georgia, Caucasus.

Posted by Andrew Siebert on Monday, July 20, 2020

Como seria sua reação se durante uma trilha na mata descobrisse algo oculto ali?

No vídeo ele narra ofegante e em inglês que quase caiu pelo buraco no topo. Se surpreende pela parede ser curvada e supõe que uma das estruturas possa ter sido um tipo de capela. Ao entrar pelo portal de pedras, sente-se entrando em um tipo de iglu em rocha calcária. De fato, a construção foi projetada para ser resistente ao tempo e não necessitar de um telhado propriamente dito.

NOSSA PESQUISA SOBRE O LOCAL

Tori A Vila Prisão
Muro megalítico com rochas lapidadas e de encaixes poligonais.

A construção é citada em diversas obras. A pequena cidade de Tori, suposto nome deste local, já foi citado em diversas fontes e livros, segundo o site Georgia History: “Crônicas de Kartli”, “A Descrição do Reino da Geórgia”, por Vakhushti Bagrationi, “Crônicas de Lasha-George”, “A Vida dos Geórgios”, “Jornada para Geórgia” por Johann Guldenstedt, entre outros.

A vila dataria do século XI, e teria sido a residência ancestral dos Toris, povo que viveu por lá desde sua concepção. Era um povo que detinha o domínio de toda a costa de Samtskhe. Em alguns contos sobre Thor, o deus nórdico, os Toris são citados como os detentores da um tipo de prisão. Um pouco depois, entre os séculos XII a XIII, durante o reinado do Rei Bagrat IV (1027 a 1072), os Toris se consolidaram como verdadeiros cavaleiros, bem do tipo medieval europeu, e destemidos guerreiros.

Foi durante a expansão e conquista Mongol que a vila foi gradualmente perdendo seus habitantes, e, em 1578, Tori foi tomada pelo general otomano Mustafa Lala Pasha.

Mais recentemente, entre 1968 e 1969, a vila foi investigada pela Expedição Tori-Lokan do Instituto de História, Arqueologia e Etnografia Javakhishvili. O instituto carrega o nome de Ivane Javakhishvili, um renomado historiador e linguista da Geórgia, que viveu entre 1876 e 1940. Entre outras coisas ele foi um expressivo contribuinte para o mapeamento da história geral do seu país natal e um dos fundadores da Faculdade Estadual de Tbilisi.

SÍTIOS MEGALÍTICOS NA GEÓRGIA

A Geórgia está situada no Sul do Cáucaso, entre as latitudes 41° e 44° N e longitudes 40° e 47° , ocupando uma área de 69.700 km². Faz divisa com Armênia, Turquia Rússia e Arzebaijão. É um país muito montanhoso, sendo que a faixa Likhi divide o país em duas metades orientais e ocidentais. Historicamente, a porção ocidental da Geórgia era conhecida como Cólquida, enquanto o planalto oriental foi chamado Ibéria. Por causa de uma configuração geográfica complexa, montanhas também isolam a região norte do Suanécia do restante da nação. Tori está a 400 km (distância menor que São Paulo/Rio de Janeiro) do Monte Ararat, local onde a Arca de Noé teria descansado, segundo Gênesis.

Pesquisando mais a fundo, vemos que nesse país há dezenas de construções megalíticas idênticas as encontradas pelo professor Siebert.

As fortalezas de Shaori e Abuli estão localizadas no município de Ninotsminda, Javakheti. Estes dois edifícios, datados de milênios a.C., são os mais especiais entre os prédios megalíticos da Geórgia. Sua localização e o tamanho das pedras com as quais foram construídas são surpreendentes. A Fortaleza de Abuli é especialmente grande. Esses edifícios são chamados de “fortalezas”, como de costume, mas seu objetivo real ainda não foi totalmente pesquisado.

 

Shaori.
Abuli.
Shaori.
Magnífica paisagem local.

Vasculhando um pouco mais, é possível encontrar imagens de sítios em Gomareti (inclusive com inscrições) e Dmanisi, conhecida por seus depósitos da Idade do Bronze.

Megálitos com inscrições em Gomareti.
Dmanisi.
Dmanisi.

Inclusive, Dmanisi é o local de um achado intrigante: restos de hominídeos do Paleolítico Inferior , que demonstram uma variabilidade surpreendente que ainda não foi totalmente explicada. Até agora, cinco fósseis hominídeos, milhares de ossos de animais extintos, fragmentos de ossos e mais de 1.000 ferramentas de pedra foram encontrados no sítio.

Os artefatos de pedra, feitos principalmente de basalto, tufo vulcânico e andesita, são sugestivos da tradição das ferramentas de corte Oldowan, semelhantes às ferramentas encontradas no desfiladeiro na Tanzânia, África!!!

Dois crânios hominídeos quase completos foram encontrados e foram originalmente datilografados como Homo ergaster ou Homo erectus . Eles parecem mais com o H. erectus africano , como os encontrados em Fora de Koobi e Turkana Ocidental. Com base na capacidade cerebral dos crânios, entre 600 e 650 centímetros cúbicos (ccm), Lordkipanidze e colegas argumentaram que a melhor designação  seria H. erectus ergaster georgicus.

H. erectus ergaster georgicus

 

Sítio.

CULTURA INTRUSIVA

Estudando mais a fundo, percebemos que o muro megalítico encontrado por Andrew Siebert e documentado por outros pesquisadores regionais, provavelmente é Pré-Histórico, de antiguidade extrema, considerando quem em diversas localidades vizinhas encontramos as mesmas edificações.

O que aconteceu foi um fenômeno normal, mas que muitos historiadores ignoram: os Tori da Idade Média tomaram posse das estruturas, colocaram seus símbolos, e, talvez, até tenham feito algumas melhorias na construção.

Em verdade, foram apenas intrusos que utilizaram de forma inteligente prédios muito antigos.


Participação de André de Pierre


Referências:

Description of the Kingdom of Georgia, its habits and canons obra de Vakhushti Bagrationi, Outubro de 1745, tombado em 2013 pela UNESCO como Patrimônio da Memória Mundial.

georgiaofhistory.blogspot.com

Description of Kartli-Kakheti, documentos históricos de Ioane Bagrationi datado do século XVI.

Georgian Chronicles, compendio histórico da Geórgia, conhecido também como Kartlis Tskhovreba, em tradução literal: Vida de Kartli, com textos do período entre século IX e XIV

https://karpukhins.livejournal.com/264277.html

http://bisna.ge/en/tour/574

https://www.tripadvisor.com/LocationPhotoDirectLink-g12596468-i402807428-Tetritsqaro_Kvemo_Kartli_Region.html

https://www.tripadvisor.com.br/LocationPhotos-g7741546-Dmanisi_Kvemo_Kartli_Region.html

https://www.thoughtco.com/dmanisi-lower-paleolithic-site-170715


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