As Múmias de Nazca: Verdade ou Fraude?

Inicialmente, tal detalhe fica em segundo plano quando vemos sua clara anatomia anômala e estranha. A primeira coisa que chama nossa atenção, assim que repousamos os olhos nas Múmias de Nazca, são suas mãos e pés com três dedos extremamente compridos e seu crânio inusitado, visivelmente maior do que o comum e alongado. O vídeo começa dizendo que “podemos estar diante da maior descoberta arqueológica do século XXI”: será que tal afirmação está certa? Ou trata-se de uma grande farsa muito bem elaborada?

Apenas uma semana após o vídeo da múmia peruana ter sido publicado, outro trecho do documentário foi liberado no YouTube exibindo outras três múmias ainda mais estranhas. Também continham três dedos nas mãos e pés e crânios alongados, mas apenas cerca de 60 cm de altura!

Entretanto, afinal, como, onde e quando essas múmias bizarras foram encontradas?

Nesta matéria, a mais completa já publicada no Brasil sobre o assunto, será abordado em detalhes um dos casos mais polêmicos da história da Arqueologia em nosso continente para que sejam respondidas as questões levantadas acima.

UMA HISTÓRIA EXÓTICA

O pesquisador e historiador francês Thierry Jamin, conhecido por sua pesquisa sobre a presença das civilizações pré-incaicas (Wari, Tiwanakus, Nazcas, entre outras) e Incas na Floresta Amazônica, relatou em entrevista para o jornalista e apresentador mexicano Jaime Maussan que em outubro de 2016 foi procurado por dois huaqueros – palavra derivada da língua aymara e que pode ser traduzida como “violador” e “saqueador de locais antigos”. Um desses huaqueros se apresentou com o pseudônimo de Mário. O saqueador contou, segundo o próprio Thierry, “uma história incrível, com objetos em suas mãos mais incríveis ainda”. Esse homem mostrou a ele pequenas múmias humanoides de 60 cm com cabeças e extremidades completamente diferentes da anatomia humana, que claramente pertenciam à outra espécie.

Saques, tráficos de múmias e artefatos antigos são muito comuns no Peru. Diversos moradores locais descendentes dos povos nativos como os aymaras e quéchuas em sua maioria conhecem locais onde poderia haver artefatos e múmias antigas enterradas. Estimulados pela oportunidade financeira oferecida pelo comércio ilegal, eles saqueiam essas regiões para vender relíquias arqueológicas no mercado negro. (Em entrevista exclusiva à Revista Enigmas, o advogado e jornalista investigativo peruano Antony Choy nos dá detalhes surpreendentes do tráfico de artefatos antigos na região andina).

Conforme relato dos saqueadores, a história realmente começou no ano de 2014 quando dois huaqueros vasculhavam uma estreita caverna no alto de uma montanha na região de Nazca, Peru, onde há uma grande reserva natural de terra de diatomácea. Segundo Mário, ao se aproximarem da fenda viram uma tampa de pedra na entrada recoberta de areia com cerca de um metro de largura e dois de comprimento. Incentivados pela curiosidade, arrastaram a tampa para o lado e viram uma escada de pedras. Ao descer por elas, descobriram que se tratava de uma caverna muito antiga escavada no monte. Apesar do medo que sentiram por um provável desabamento, adentraram e descobriram que se tratava de um grande complexo com túneis e câmaras. Em um dos salões, construído com enormes megálitos no estilo pré-incaico, encontraram um sarcófago de pedra de dois metros de comprimento coberto com uma grossa tampa. Durante o dia todo tentaram empurrar a tampa para ver o que havia dentro, porém não conseguiram. Estava muito bem fechada. Contudo, não se deram por vencidos e voltaram dia após dia para tentar abrir o sarcófago levando ferramentas e tentando diferentes métodos, mesmo assim, sem sucesso. Até que tiveram a ideia de usar um macaco para carros e, finalmente, conseguiram arrastar a pesada tampa. Na expectativa de encontrar ouro, joias e riquezas antigas dentro do sarcófago, rapidamente olharam para dentro: porém, só encontraram pequenas figuras de pedra em forma de sapos em suas diferentes fases evolutivas, do girino até o sapo adulto. Isso nos lembra o famoso disco genético encontrado na Colômbia, que contém o mesmo desenho.

Huaquero Mário – Leonardo Ribeira.

Todas as figuras do sarcófago apontavam para o que parecia ser um cérebro mumificado, mas, quando observaram atentamente, se deram conta que aquele suposto cérebro era demasiado grande para ser um cérebro humano normal.

Durante vários dias, continuaram indo ao local para explorar outras salas e câmaras do complexo, e assim chegaram a encontrar milhares de pequenos objetos feitos de pedras. Alguns tinham formas de dinossauros, outros pareciam discos voadores; uma grande quantidade representava rostos de diferentes tipos de humanoides que foram interpretados como sendo rostos de raças extraterrestres. Durante um ano, prosseguiram explorando diferentes túneis e galerias.

Segundo eles, algumas paredes foram construídas com enormes blocos de pedras de até três metros de altura e várias toneladas, muito semelhantes à Sacsayhuamán em Cuzco, Peru.

No ano de 2015, em uma das salas do complexo, um dos caçadores de antiguidades bateu em uma das paredes com um martelo e escutou um som oco, desconfiando ter encontrado uma câmara secreta atrás da parede, onde achou que finalmente poderiam ter descoberto os tesouros escondidos tão desejados. Assim, começaram a quebrar a parede oca e abriram um buraco grande o suficiente para que uma pessoa pudesse passar. Um deles entrou se arrastando pela passagem, iluminando o caminho com apenas a sua lanterna de capacete de mineração. Quando conseguiu colocar a cabeça do outro lado, percebeu que estava a uns cinco metros do chão. Ao olhar para o canto da câmara, ficou paralisado quando viu uma sombra do que parecia um ser de aproximadamente três metros de altura, que o observava com olhos que brilhavam com uma luz azul muito forte. Ambos se olharam por um segundo para que, repentinamente, o ser desaparecesse como mágica. O saqueador saiu, aterrorizado, e contou o que tinha visto ao seu amigo. Rapidamente, fugiram de lá.
Passado o susto inicial, voltaram dias depois com mais três amigos ao mesmo local onde observaram novamente o misterioso ser. Tiveram que descer pela entrada por cordas, pois estavam a cerca de cinco metros de altura do chão. Essa câmara, ao contrário das anteriores, encontrava-se estranhamente limpa, sem terra nem escombros. Lá, descobriram um segundo sarcófago, e o que viram dentro os deixou atônitos: do seu interior, começaram a extrair múmias de misteriosos seres humanoides com diferentes características e de diferentes espécies, que variavam de 15 a 60 cm. No total, disseram ter encontrado mais de cem múmias de pelo menos vinte espécies diferentes! Todas elas cobertas por uma fina camada branca, um tipo de argila que acredita-se ter sido utilizada para auxiliar na conservação dos corpos (trataremos desse assunto mais adiante). Essas múmias tinham uma característica em comum: todas possuíam três dedos nas mãos e pés. Além das múmias, também foram encontradas cinco mãos mumificadas que mediam entre 30 a 40 cm de comprimento, também compostas de apenas três dedos, cada dedo contendo seis falanges. A maioria possuía uma espécie de implante de metal circular na palma da mão, entre a pele e os tendões, cuja utilidade até hoje se desconhece, além do grande número de cérebros mumificados possuindo 20 cm de diâmetro, em média. Também foi encontrado um coração envolto em algodão em um pequeno vaso, com aproximadamente o tamanho de um punho humano. Como esse coração estava mumificado, seu tamanho real deveria ser três vezes maior. O que significa que seu dono precisaria ser bem maior que uma pessoa comum!

Os caçadores de antiguidades também relataram que, dentro dos túneis, as bússolas não funcionavam: moviam-se loucamente e revelavam alto magnetismo no local. Características muito comuns em locais de construções megalíticas.

O relato da criatura de olhos brilhantes visto por um dos caçadores se repete mais adiante. Uma terceira pessoa, que também participava da exploração dos túneis, relata que, em determinado momento em uma das câmaras, avistou um ser de feições femininas, pele azulada e aparência reptiliana que os observava e, ao ser notado, desapareceu na escuridão.

LOCAL DA SUPOSTA DESCOBERTA

A história incrível do huaquero Leandro Benedicto Rivera, que prefere se identificar com o pseudônimo de Mário, parece ter saído de algum filme de Indiana Jones. Porém, com o caso ganhando muita repercussão no mês de outubro de 2017 por conta dos muitos questionamentos sobre de onde afinal essas múmias teriam sido retiradas, Mário (Leandro) aceitou levar o jornalista peruano Joyce Mantilla, assim como Thierry Jamin, Edward Valenzuela e José Casafranca da ONG Inkari (criada em 2009 por Thierry, com sede em Cuzco) para poder conhecer e filmar esse local da suposta descoberta.

De acordo com o jornalista Joyse Mantilla, Mário levou a equipe para uma região desértica entre as linhas de Nazca e Palpas, local muito árido e com temperaturas de mais de 40C. Ao chegar próximo ao local, Joyse disse: “Vimos montanhas de pura pedra… não é uma zona desértica, é uma zona de pedras… O acesso é muito difícil, o sol é muito intenso, e subir com o peso do equipamento de filmagem foi muito mais complicado. A subida demorou mais ou menos 1h, e no caminho vimos que existiam algumas bolsas com pedras, porque essas zonas, nos conta Mário, estavam sendo usadas para mineração artesanal. Colhem pedras e, a partir daí, extraem minerais. Em uma dessas ocasiões, ele (Mário) encontra uma abertura e, ao retirar as pedras da entrada da abertura, encontra uma cova escavada na rocha”. Joyse diz que Mário começou a abrir caminho com as mãos na abertura e notou uma grande quantidade de um pó branco (terra de diatomácea) que protegia os corpos mumificados.

A TV on-line por assinatura Gaia TV.com disponibilizou um vídeo para seus assinantes mostrando o local da descoberta e o interior da abertura escavada na rocha onde Mário diz ter encontrado as múmias. Conforme assistimos, o local é bem rústico – basicamente um buraco escavado na rocha – onde só é possível entrar arrastando-se, sendo que o local é bem mais simples do que foi relatado inicialmente por Mário na descrição reproduzida acima em nosso artigo. Lá dentro, é possível ver outra abertura menor que dá acesso a um pequeno bolsão rusticamente escavado, também muito pequeno.

No ano de 2016, o huaquero Mário, entrou em contato com seu amigo Paul Ronceros, dono de uma loja de antiguidades no Peru, e contou toda a história sobre sua descoberta. Após o relato, Paul Ronceros comprou algumas múmias pequenas e uma das mãos mumificadas de três dedos.

No mesmo ano, Paul começou a divulgar sobre esse achado em seu canal no YouTube e acabou conseguindo a atenção do pesquisador e historiador francês Thierry Jamin e do pesquisador e escritor Brien Foerster, que, ao examinarem as múmias de Paul, se deram conta de que provavelmente eram autênticas.

Após isso, duas correntes de pesquisa procederam. De um lado, Thierry Jamin começou a arrecadar dinheiro por meio de doações na internet, a fim de comprar as outras múmias dos huaqueros e assim realizar seus próprios estudos. Com o dinheiro arrecado, Thierry comprou uma múmia grande de 1,68 m e mais três múmias pequenas, uma das mãos mumificadas e um bebê com também três dedos nas extremidades e crânio alongado.

Do outro lado, Paul Roncero continuou as investigações por sua própria conta com o pseudônimo de Krawix 999 e continuou a publicar vídeos sobre as múmias que tinha em seu poder. Paul, então, decidiu levar algumas amostras para o Museu Nacional de Arqueologia, Antropologia e História do Peru para saber a opinião dos acadêmicos.

Joyse Mantilla no interior da cova onde Mario teria encontrado a múmia grande conhecida como Maria.

OPINIÕES DIVERGENTES

Thierry Jamin, junto com Jaime Maussan, entrou em contato em abril 2017 com Melissa Tittl e Jay Weidner, diretores de conteúdo do canal Gaia.com. Eles e sua equipe, por sua vez, convidaram um grupo de cientistas de varias áreas distintas para analisar as múmias obtidas por Thierry Jamin. Entre eles estavam o doutor russo Konstantin Korotkov, da Universidade de São Petersburgo, conhecido pelas suas pesquisas sobre o bioeletrografia instrumental e estado bio-psico-energético humano; o arqueólogo espanhol Daniel Merino; a radióloga americana M. K. Jesse, da Universidade de Colorado; o doutor mexicano José de Jesús Zalce Benítez, especialista forense na Escola Nacional de Medicina da Marinha mexicana; a russa Ph.D Natalia Zaloznaja, chefe de análise de imagens do Instituto Médico MIBS; o Dr. Michael Aseev, diretor do Departamento de Análise Genética da Academia Russa de Ciências; o biólogo peruano José de la Cruz Ríos López; e o médico cirurgião também peruano Edson Salazar Vivanco, que nos concedeu uma entrevista exclusiva para essa matéria.

A múmia maior foi batizada pela equipe com o nome de Maria. Essa múmia foi encontrada dentro do segundo sarcófago e selada com um círculo de pedras, característica das tumbas dos povos de Nazca.

Segundo a TV Gaia.com, os resultados de Carbono 14 revelaram que a múmia Maria tem uma idade de mais de 1.700 anos, tendo sua datação resultado entre 245 e 410 a.C..

Enquanto isso, Paul recebeu uma carta do Ministério da Cultura em resposta às suas amostras levadas ao Museu Nacional de Arqueologia, Antropologia e História do Peru. A carta dizia que as amostras que Paul tinha enviado tratava-se de uma montagem de diferentes partes de animais “modernos”. Se isso é verdade, quem poderia ter montado mais de cem múmias com tanta eficiência a ponto de conseguir enganar tantos especialistas?

A partir disso, apareceram três novas teorias. A primeira é do Ministério da Cultura do Peru, que até o momento da escrita desse artigo não deu nenhuma explicação de como chegou à conclusão de que as múmias seriam restos de animais atuais. Também temos que levar em consideração que o Ministério, mesmo sem apresentar relatórios, diz ter analisado apenas duas das múmias encontradas e que até agora não demonstrou interesse em analisar nenhuma outra. O mais estranho é que o governo peruano não está investigando quem supostamente teria feito uma fraude desse calibre – ainda mais, ciente de que poderiam ter sido usados até mesmo restos humanos para a montagem dessas múmias.

A segunda é a teoria de Paul Ronceros, que sustenta que as múmias foram montadas – porém, não por alguém dos tempos atuais, mas durante a Antiguidade. Ele alega acreditar que seus autores antigos tentaram representar algo que viram.

Há ainda a corrente teórica formada por Thierry Jamin, Maussan e a TV Gaia.com, que acredita nos resultados científicos que a equipe está fazendo. Alegam que as múmias são legítimas e não humanas.

Também temos que destacar que nessas mesmas galerias e câmaras onde as múmias foram encontradas estavam supostamente dois crânios muito semelhantes ao famoso crânio conhecido como “o menino das estrelas” descoberto em 1930, em Copper Canyon, México. Essa história, inclusive, já apareceu no programa Alienígenas do Passado do canal History Channel, no episódio Crianças das Estrelas. Há também outro exemplar desse crânio encontrado no Peru que atualmente está no museu Juan Navajo, o qual eu pessoalmente pude observar.

Os dois crânios incomuns encontrados pelos huaqueros estavam sobre os escombros de pedra. Esses crânios ainda não foram analisados, e, por enquanto, teremos que esperar até que realizem análises sérias para comprovar sua autenticidade e sua verdadeira natureza. Também não foram disponibilizados vídeos ou fotos desses supostos crânios.

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Rafael Carvalho

Programador neurolinguístico, pesquisador dos antigos mistérios, faz parte da escola online Método da Integração que já conta com centenas de alunos no Brasil e no mundo.

Um comentário em “As Múmias de Nazca: Verdade ou Fraude?

  • 11 de setembro de 2018 em 6:45 pm
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    Já havia assistido aos vídeos. Adorei a matéria! ???

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