VENDA DA REVISTA UFO A URANDIR: ENTREVISTA REVELA PREVISÃO DE BILU

Transferência do controle da publicação mais tradicional da ufologia brasileira provoca saída da equipe histórica e reacende debates sobre legado, método e futuro do setor.

A mudança de controle da Revista UFO abre uma nova fase na ufologia nacional.
Portal Enigmas apresenta as versões de Urandir, Daniel Gevaerd, Thiago Tichetti e Marco Antônio Petit sobre o processo de venda e seus desdobramentos.

A VENDA QUE RECONFIGUROU A UFOLOGIA NACIONAL

A venda da Revista UFO para Urandir Fernandes de Oliveira, marcou um dos momentos mais delicados e simbólicos da história recente do setor. Após o falecimento de seu fundador, A. J. Gevaerd, em 2022, a revista passou a ser dirigida por seu filho, Daniel Gevaerd.

Em 2026, foi anunciada a transferência do controle da marca para Urandir Fernandes de Oliveira, ligado ao grupo Dakila Pesquisas — movimento que historicamente manteve divergências públicas com Gevaerd.

A negociação provocou impacto imediato na comunidade ufológica, resultando na saída de membros históricos da equipe editorial e reacendendo debates antigos sobre linhas de pesquisa, critérios de abordagem e rumos institucionais da ufologia nacional.

Urandir Fernandes Oliveira e Daniel gevaerd.

COMO SURGIU A NEGOCIAÇÃO, SEGUNDO URANDIR

Em entrevista concedida ao Portal Enigmas, Urandir afirmou que a aproximação ocorreu entre seis e oito meses antes do anúncio oficial. Segundo ele, o primeiro contato partiu por intermédio de Garibalde Rodrigues, diretor comercial do BDM Digital, empresa do ecossistema Dakila.

“O Garibalde Rodrigues conversou com ele e foi através dessa conversa que chegaram até mim”, relatou. Inicialmente, afirmou não ter demonstrado interesse imediato. “No início ele não quis, ficou pensando um tempo”, disse ao comentar as idas e vindas da negociação.

Garibalde e Urandir.

De acordo com Urandir, após cerca de cinco ou seis conversas, a proposta passou a ser considerada estrategicamente viável. Ele menciona que Daniel questionava se a revista estaria “em boas mãos”, considerando o legado do pai.

Em um trecho que chamou atenção, Urandir relatou que anos atrás o ser conhecido nacionalmente como “Et Bilu”, Bill ou Idibel, teria feito uma brincadeira dizendo que ele “acabaria sendo dono da Revista UFO e depois compraria a Globo também”. Para ele, o episódio foi curioso à luz do desfecho atual.

Questionado sobre valores envolvidos, Urandir afirmou que prefere não divulgar cifras, alegando respeito às pessoas que deixaram a revista e evitando especulações.

“Et Bilu”, Bilu, Bil ou Idibel.

A RELAÇÃO HISTÓRICA ENTRE GEVAERD E URANDIR

A relação entre Ademar Gevaerd e Urandir sempre foi marcada por divergências públicas. Urandir afirmou que, de sua parte, nunca atacou Gevaerd. “Da minha parte foi sempre neutra, nunca fiz nada contra ele”, declarou, dizendo não compreender o que classifica como perseguições sofridas ao longo dos anos.

Já o ufólogo e ex-editor da Revista UFO, Thiago Tichetti, que conviveu de perto com Gevaerd, apresentou uma versão distinta. Segundo ele, Gevaerd dizia estar “cansado dos picaretas da ufologia”, embora nunca da ufologia em si.

Tichetti afirmou ainda que, conforme registrado em vídeos e publicações anteriores, Gevaerd considerava Urandir um “picareta que queria enganar pessoas e ter lucro com isso”. Ele ressaltou que, durante o período em que trabalhou com Gevaerd, “relação nenhuma” existia entre os dois.

Thiago Tichetti com Gevaerd.

A SAÍDA DA EQUIPE DA REVISTA UFO

Após a venda, todos os membros antigos deixaram a publicação. Tichetti declarou que entendeu a mudança como início de um novo ciclo editorial com diretrizes e estratégias diferentes das que orientavam seu trabalho. Logo após a saída, ele criou a Revista Fênomeno UFO.

Ele afirmou que sua trajetória sempre foi baseada em critérios específicos de método, independência de análise e linha investigativa, valores que diz não abrir mão. Por isso, considerou mais coerente encerrar sua participação.

O pesquisador, ex-editor e um dos autores mais famosos da Revista UFO, Marco Antônio Petit, afirma que a venda representou uma ruptura institucional e que a marca pode ter sido vendida, mas a história construída ao longo de décadas não foi transferida junto.

Petit também declarou que não foi previamente informado sobre os detalhes da negociação e que, diante da nova direção editorial, considerou incompatível permanecer vinculado ao projeto, alegando que a venda se tratou “de uma brincadeira de mau gosto”.

Marco Antonio Petit.

A POSIÇÃO DE DANIEL GEVAERD (FILHO DE ADEMAR GEVAERD)

Procurado pela reportagem, Daniel Gevaerd não respondeu às mensagens enviadas até o fechamento desta matéria.

Segundo informações publicadas na imprensa e declarações atribuídas a Daniel Gevaerd, ele assumiu a direção da Revista UFO após o falecimento de seu pai, A. J. Gevaerd, em dezembro de 2022. A sucessão ocorreu em um momento considerado delicado para a publicação, que enfrentava dificuldades financeiras acumuladas nos últimos anos, agravadas pelo período da pandemia.

De acordo com reportagens, a revista teria acumulado dívidas significativas, e a venda foi apresentada como alternativa para preservar a continuidade da marca e manter a publicação ativa no cenário editorial. A transição, segundo Daniel, teve como objetivo garantir sustentabilidade financeira e estrutural ao projeto.

Em nota pública, Daniel afirmou respeitar a decisão dos colaboradores que optaram por deixar a revista após a mudança de controle. Ele destacou que nenhum integrante da equipe foi desligado de forma compulsória, sustentando que as saídas ocorreram por decisão individual de cada profissional diante da nova configuração editorial.

Daniel também indicou que a prioridade seria preservar o legado construído ao longo de décadas por seu pai, buscando uma solução que evitasse o encerramento das atividades da revista. A venda, nesse contexto, foi descrita como medida administrativa diante das circunstâncias enfrentadas.

Daniel Gevaerd.

A NOVA LINHA EDITORIAL

Em entrevista ao Portal Enigmas, Urandir afirmou que a revista pretende manter o legado histórico construído por A. J. Gevaerd, preservando a assinatura e o histórico institucional associados à Revista UFO. Segundo ele, a proposta não seria descaracterizar a publicação, mas ampliar seu escopo.

Urandir anunciou a intenção de incluir novas frentes temáticas, como ufologia indígena, arqueoufologia, ufologia quântica e estudos ligados a energia quântica, além de outros temas que, segundo ele, dialogariam com mistérios ainda pouco explorados pela abordagem tradicional. Também declarou que há planos de internacionalização da revista, com publicação em diferentes idiomas e circulação fora do Brasil, acompanhada de uma reformulação visual.

No entanto, questionado sobre a composição da nova equipe editorial, Urandir afirmou que os nomes dos editores e autores ainda não estão definidos. Segundo ele, o processo de escolha está em fase de análise e deverá ser concluído nas próximas semanas. Até o momento da entrevista, não havia confirmação pública de quem assumirá formalmente as funções de editor-chefe ou colunistas fixos da nova fase.

Apesar da indefinição da equipe, Urandir declarou que a próxima edição regular deverá sair até o fim do mês. Já uma edição com reformulação editorial, apresentada como 001 da chamada “Ufologia Moderna”, está prevista para 29 de março, marcando simbolicamente o início do novo ciclo.

O FUTURO DA UFOLOGIA NO BRASIL: VISÕES DISTINTAS

Para Urandir, a nova fase representa expansão e crescimento, com maior adesão popular e possível pressão por abertura de informações militares e institucionais.

Já Tichetti avalia que o futuro da ufologia brasileira continuará promissor, mas atribui esse avanço à união de pesquisadores que deixaram a revista e à manutenção de critérios que considera rigorosos e independentes.

As visões apontam para caminhos diferentes dentro do mesmo campo de estudo, evidenciando que a venda da Revista UFO não foi apenas uma transação comercial, mas um ponto de inflexão simbólico para a ufologia nacional.

MOMENTO DE INCERTEZA

A venda da Revista UFO marca o encerramento de um ciclo iniciado por A. J. Gevaerd e a abertura de uma nova etapa sob direção ligada ao grupo Dakila. Entre continuidade e ruptura, tradição e renovação, o episódio expõe tensões antigas e inaugura novas discussões sobre método, credibilidade e identidade da ufologia brasileira.

Gevaerd e a Revista UFO lideraram a ufologia nacional por décadas. Com a venda para Urandir, essa liderança histórica mudou definitivamente de eixo — e passou agora ao grupo Dakila?

O tempo dirá como essa transição será assimilada pelo público e pelos pesquisadores.


ENTREVISTA COMPLETA COM URANDIR E THIAGO TICHETTI SOBRE VENDA DA REVISTA UFO

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