Gravuras de até 8 mil anos no leste da Venezuela revelam círculos e espirais que ecoam padrões ancestrais mundiais e reacendem o debate sobre memórias esquecidas da humanidade.
Nas encostas silenciosas de Quebrada Seca, no município de Cedeño, no leste da Venezuela, foi revelado um complexo de petroglifos com idade estimada entre 4.000 e 8.000 anos. Gravadas na rocha, essas marcas milenares lançam um véu de mistério sobre a pré-história sul-americana e sugerem a presença de culturas antigas profundamente conectadas ao simbolismo e à observação da natureza.

As inscrições apresentam espirais, círculos concêntricos e figuras humanoides, formas que vão além de simples desenhos. As espirais evocam o tempo cíclico e o movimento perpétuo; os círculos sugerem vínculos com ritmos celestes e naturais; e as figuras antropomórficas apontam para a necessidade ancestral de registrar a própria presença no mundo. Juntas, essas imagens revelam uma mente simbólica que buscava compreender o cosmos e seu lugar dentro dele.

A região pode ter sido, há milênios, um ponto de encontro entre povos em deslocamento, funcionando como um nó de rotas migratórias. Os padrões encontrados ali ecoam tradições rupestres de outras partes do mundo, como no Rio Guaporé, na Valcamonica, nas cavernas de Bhimbetka e no distrito de arte rupestre de Coso Rock Art District. Em todos esses locais, repetem-se círculos, espirais e figuras que parecem traduzir uma linguagem universal da humanidade antiga.

Embora a datação exija cautela científica, essas gravuras testemunham um pensamento simbólico muito anterior às grandes civilizações agrárias do continente. Mais do que vestígios arqueológicos, os petroglifos de Quebrada Seca representam uma ponte enigmática com o passado — um lembrete de que a necessidade humana de compreender, registrar e se conectar com o invisível acompanha nossa história desde os seus primórdios.





