Expedição Rio Grande do Sul

Por André de Pierre

Rota da expedição. (Google Maps)

OS SEGREDOS DAS RUÍNAS

Em 22 de julho, às oito, atingimos o Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, Patrimônio Mundial pela UNESCO, local das ruínas de uma antiga redução jesuítica, sendo o ponto inicial da expedição.

Segundo a historiografia sobre o local, a redução foi construída no século XVII pelos jesuítas para um programa de evangelização dos indígenas, em sua maioria de ascendência guarani. Inicialmente, naquele sítio, foi fundado, em 1632, um povoamento primitivo, que foi destruído pelos bandeirantes paulistas poucos anos depois. A redução foi restabelecida, em 1687, pela criação dos Setes Povos das Missões – sete aldeamentos indígenas fundados no Rio Grande do Sul por jesuítas – e teve sua queda a partir da assinatura do Tratado de Madri (1750), que culminou na Guerra Guaranítica (1753-1756). Em seu apogeu, a vila que tinha diversas edificações, sendo a igreja da redução a mais notável, possuía sete mil habitantes, população igual a da cidade de São Miguel das Missões, no presente. O local foi repovoado e habitado até o século XIX, quando foi saqueado, em 1828, pelo uruguaio Frutoso Rivera, ocasionando seu fim. De 1925 a 1927, as ruínas da igreja, construída entre 1735 e 1750, tiveram sua cúpula reformada entre 1762 e 1768, foram estabilizadas.  Em 1938, o sítio foi tombado como patrimônio histórico e, em partes, restaurado.

Grande monólito no batistério do templo. (Foto André de Pierre)

Existem “boatos” de que esses padres não escolheram o local por acaso. A vila foi construída sobre ruínas de um povoamento muito antigo advindo do outro lado do Atlântico e que tais destroços foram localizados pelos jesuítas. Com todo respeito à história recente do local, essa era uma pista extraordinária que tinha que investigar.

Para contextualizar minha presença, preciso explicar que os primórdios do Estado de Portugal, estão intimamente ligados com a Ordem dos Templários. Nos séculos XI e XII, os templários auxiliaram os portugueses na batalha contra os muçulmanos e receberam recompensas como terras e poder político. Mais tarde, em 1307, membros da ordem foram perseguidos pelo Papa Clemente V, resultando na extinção dos templários em 1312. O rei de Portugal, Dom Dinis I, aparentemente protegeu o legado dos famosos clérigos, solicitando a Roma a fundação de uma nova ordem para a transferência das propriedades deles, mantendo assim o poder econômico, político e militar dos templários em Portugal. O pedido foi atendido em 1319, quando o Papa João XXII fundou a Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou Ordem de Cristo. Não por acaso, Portugal esteve na vanguarda das viagens marítimas iniciadas no século XV, pois, os templários tinham navios, ótimos navegadores, muitos recursos, conhecimento inimaginável e, certamente, mapas extremamente antigos adquiridos durante as Cruzadas. Isso explica porque os portugueses navegaram a costa atlântica da África com tanta facilidade e segurança, basicamente seguindo as rotas traçadas pelos cartagineses no mundo antigo. Jesuítas, navegações, templários, Roma e Cartago, foi o caminho que me levou até as ruínas de São Miguel das Missões, e encontrei por lá evidências interessantes de que, o tal boato, talvez não seja uma mera fofoca mitológica.

Chegamos ao sítio e o local realmente impressiona, pois, após visitar dezenas de regiões pelo Brasil com importância arqueológica, eu não esperava encontrar um local tão bem conservado e visitado. Realmente é um exemplo de organização, limpeza e respeito a história do nosso país. Logo na entrada, vemos um amplo estacionamento ao ar livre, de terra batida e brita, muito limpo e estruturado. Para adentrar o sítio é necessário comprar um ingresso no valor de R$ 14,00 e passar uma catraca. Dentro da área de visitação existe um museu muito interessante e bem executado, basicamente contendo arte sacra.

Monólitos que ninguém sabe a utilidade. (Foto André de Pierre)

Mais à frente, começaram as áreas de maior interesse para a pesquisa. Logo depois do museu, me chamou a atenção uma série de estruturas sem explicação, que ninguém sabe para que serviam, um conjunto pitoresco de colunas aparentemente deslocadas da arquitetura geral. Depois, é impossível não se impactar com a construção magnífica do grande templo, que me pareceu uma edificação muito maior em relação aos recursos disponíveis aos jesuítas nas Setes Missões. Como citam alguns historiadores, uma planta muito avançada para o local e época. Nas laterais do templo, vi mais ruínas de antigas praças, pátios, escolas e oficinas, tudo dividido em quarteirões milimetricamente projetados. A entrada da igreja é imponente, composta por torre e colunas finamente acabadas, contudo, o que eu buscava deveria estar na base ou solto pelo terreno.

Incrível templo com alinhamento perfeito com os pontos cardinais. (Foto André de Pierre)

Entrei na igreja e logo reparei que a construção era um verdadeiro Frankenstein da engenharia civil. Em apenas uma única parede é possível ver três estruturas diversas, construídas de forma diferente, obviamente por pedreiros de épocas distintas. Fotografei esse estranho fenômeno e pensei, será que foram as reformas? Poderia até ser, considerando os fatos históricos, contudo, como a igreja foi construída entre 1735 e 1750, somente sua cúpula foi reformada 12 anos depois e restaurada em 1938, por que três paredes diferentes já que a cúpula não faz parte da parede? Por que a parede mais antiga, feita sem argamassa, é a mais rara dentro do ambiente, já que a maioria das paredes foi erguida na primeira construção?

Em busca de mais evidências, peguei minha bússola para ver a orientação da edificação, que determinou, sem grande surpresa, que a entrada do templo estava perfeitamente voltada ao norte magnético. Contudo, a maior evidência de que existia ali uma estrutura mais antiga está logo no começo da igreja, à direita, em um local nomeado como batistério. Nesse recinto, sem nenhuma explicação plausível, há um imenso megálito provavelmente de granito, de uns 2,5 metros de comprimento, orientado norte-sul, sem ornamentos ou inscrições, pesando cerca de 6 toneladas. O engraçado é que seguranças ávidos por uma explicação avisam, aos visitantes incrédulos, que a enorme pedra caiu da parte superior da igreja, que é toda ornamentada por pedras diferentes e bem menores. Para mim, esse megálito demonstra que o tal “boato” tem fundamento.

Parede “Frankenstein”. (Foto André de Pierre)

A PIRÂMIDE DE SÃO VICENTE DO SUL

A temperatura estava caindo enquanto rumávamos a São Vicente do Sul, e o pior, parecia que ia chover, pois, as nuvens estavam carregadas. A oeste de São Miguel das Missões percorremos a BR-285 até São Luiz Gonzaga, entramos na RS-168 na direção sul e, em Santiago, pegamos a BR-287 para o nosso destino. Nessa região, belíssimos cerros – forma gaúcha de falar morros – para se admirar até a cidade de São Vicente do Sul.

No dia seguinte, o objetivo era conhecer um cerro com formato de pirâmide, chamado na região de Seio de Moça, para fotografar de longe e depois avançar ao próximo destino. Contudo, chegando mais perto, vendo o formato piramidal perfeito da montanha, veio aquela vontade imensa de subir o morro e verificar mais de perto se havia alguma evidência de construção antiga.

Formação cerro “Seio de Moça”. (Foto André de Pierre)

A elevação estava em propriedade privada, por isso, a acessamos pela casa do caseiro do sítio, que também foi nosso guia na subida pela trilha. Entramos na mata gelada, úmida, e subimos até o topo. Pelo caminho há grandes pedras naturais e no topo há rochas brancas como aquelas de Lages, Santa Catarina. A vista é incrível e a energia do local impressionante.

IMAGEM 12

Voltando as evidências, o que pude observar é que os cerros no entorno parecem formar um desenho em meio a longas planícies, o que é um absurdo de se pensar, em termos lógicos, mais tal coincidência pode ter feito que visitantes considerassem a região sagrada no mundo antigo e um morro em formato de pirâmide poderia ser um centro cerimonial de tempos imemoriais. Tal observação pode ser confirmada pelos moradores locais, que me falaram sobre cultos evangélicos que acontecem no topo da montanha, após observar que no local havia lenha queimada e perguntar quem teria estado ali. Ou seja, no presente ainda é um local sagrado, mesmo que involuntariamente. Essa é a atração que estruturas em formato piramidal causam ao ser humano, e, por ser esse local sacro, tenho certeza que, em um raio de 10 quilômetros, seria possível encontrar inscrições ou pinturas rupestres de povos antigos que se espantaram com a formação natural no passado.

O VALE DOS GIGANTES

No mesmo dia partimos para dormir em São Gabriel, o próximo ponto da expedição. Ao todo foram 132 quilômetros por duas horas nas rodovias RS-241, RS-640, e, por fim a BR-290.

No dia seguinte, às nove horas, partimos por 45 quilômetros na área rural, ao sul do imenso município de São Gabriel, em uma região chamada Palmas, apelidada de Vale dos Bichos. Na ida, percorremos uma longa estrada de terra por, mais ou menos, uma hora e meia. O frio cortava a pele e a temperatura estava em torno de 5 graus. A sensação térmica era mais baixa, pois, no campo aberto existia um vento forte e gelado, que os gaúchos chamam de minuano. Esse foi o dia de menor temperatura, mas o que eu veria a seguir fez valer a pena todo o esforço. O nosso guia se perdeu por um momento, até que encontramos o caminho e estacionamos na estrada, também de terra, BR-473.

“Mesa” gigante. (Foto André de Pierre)

Atravessamos uma cerca, adentrando em um local absolutamente espetacular. Lá havia dezenas de megálitos em pontos distintos, e, inicialmente, foi difícil decidir seu iria para esquerda, direita ou para frente, essa última foi o primeiro destino escolhido. A primeira estrutura que me chamou a atenção foi um surpreendente altar de pedra. Depois, retornando um pouco a esquerda, surgiu a minha frente um conjunto de rochas alinhadas, com pequenas pedras sobre elas. O grupo monolítico parecia formar o desenho de uma constelação. Ali, peguei minha bússola e não consegui identificar nenhum alinhamento com os pontos cardeais. Contudo, ao pegar o binóculo e apontar para a direita, vi que aquele deveria ser o próximo roteiro a seguir. Borin, nosso guia, concordou que aquele era o caminho certo, pois, lá existia um conjunto de pedras que ele chamou de Meia-Lua.

Monólitos alinhados. (Foto André de Pierre)

Andamos por cerca de 700 metros atravessando aquele campo de pedras por retas e uma pequena subida, passamos um pequeno arbusto e chegamos ao local onde um conjunto de 10 megálitos empilhados e apoiados uns nos outros, formando uma toca com desenho de meia-lua. Seria natural? Em minha opinião, artificial, contudo, algo absolutamente primitivo, uma espécie de abrigo megalítico, ou seria um mausoléu? Indo para o outro lado das rochas, vi mais três pedras alinhadas e encostadas na descida da laje de pedra que forma o solo. Mais à frente são tantos megalítos empilhados nas mais variadas formas que é impossível descrever, só imagens podem relatar o que existe nessa região.

10 megálitos empilhados. (Foto André de Pierre)

Descendo mais um pouco a esquerda, avistei pedras empilhadas de uma forma exótica. Um imenso megálito que tem 200 toneladas é base para quatro rochas titânicas, um pouco menores, empilhadas acima dele. A última pedra está em posição horizontal, praticamente suspensa em um ângulo muito estranho. Indescritível, então sugiro que vejam a foto que consta na matéria.

Monólitos pesadíssimos em ângulos excêntricos. (Foto André de Pierre)

Quem conhece o meu trabalho sabe que busco evidências palpáveis, além do senso comum, e até ali não estava satisfeito em voltar somente com o registro das imagens desses monólitos espetaculares, precisava de uma prova de que houve inteligência envolvida no encaixe dessas pedras.

Andamos mais uns 300 metros pelo vale e chegamos a um conjunto de rochas de outro nível de tamanho, maiores que as anteriores, tão imensas que não cabem em uma fotografia. Duas delas estavam encaixadas e formavam um buraco vazado entre elas. Eu já tinha visto aquilo em Santa Catarina, com o Adnir Ramos, e na Paraíba, na Pedra da Coxinha. Aquilo me parecia uma autêntica pedra calendário para medir as estações do ano, mas daquele tamanho? Peguei a bússola novamente e tomei um grande susto. A abertura estava alinhada leste e oeste, ou seja, a luz do Sol passa por ali! Era a prova de mente inteligente que eu buscava! Mas quem atuou ali? Tudo me parecia muito arcaico. Pessoas com capacidade e tecnologia para movimentar pedras tão grandes somente para fazer um calendário primitivo? Será que não eram pessoas do nosso tamanho? Seriam gigantes primitivos? Seria um grande cemitério de monstros antigos? Ou o calendário é apenas uma assinatura do autor para ser reconhecida no futuro? Não sei se é relevante, mas em toda região está “brotando” fósseis de dinossauros e da megafauna. Mais uma evidência que demonstraria a possibilidade de uma tribo de gigantes ancestrais na região?

Monumento megalítico imenso. (Foto André de Pierre)

Dias depois, no escritório, já em pesquisa teórica, observei no Google Earth que a área é muito parecida com Adams Calendar, na África do Sul. Pouco conhecido no Brasil, foi chamado pelo pesquisador Michael Tellinger de cidade Anunnaki de 150 mil anos! As regiões se equivalem, inclusive nos formatos circulares dos agrupamentos de monólitos quando vistos do alto e as pedras estão encaixadas para marcar a passagem do tempo – por isso Adams Calendar ou Calendário de Adão. A diferença entre os dois locais é que o Vale dos Gigantes está coberto pelo mato e as pedras são bem maiores!

Acreditem, há mais, muito mais no local, e vou voltar para fazer uma pesquisa mais minuciosa, e, quem sabe, uma descoberta histórica está por vir?

FORTE DOM PEDRO II

A manhã de 25 de julho de 2018 estava desanimadora. Uma pancada de água atingiu o estado do Rio Grande do Sul e a temperatura continuava abaixo de 10 graus. Fiz o cronograma da expedição de forma que não estivéssemos destruídos no final da semana e, naquela quarta-feira, havia colocado um único ponto para visitação dentro da cidade de Caçapava do Sul, inspeção que duraria no máximo duas horas, para depois seguir viagem na direção norte. Tínhamos viajado mais de 600 quilômetros, sendo aquele ponto um pouco mais que a metade da viagem.

Uma das paredes bem acabadas do Forte Dom Pedro II. (Foto André de Pierre)

Assim como 99% dos leitores desta matéria, eu nunca tinha ouvido falar dessa fortificação. Foi quando a minha amiga gaúcha, Heloísa, disse que em Caçapava do Sul existia uma construção em formato de estrela, que, segundo ela, era uma “conta que não fechava”, ou seja, havia muita história encoberta sobre a edificação. Inicialmente estava incrédulo, mas ao ver a estrutura, em parte arruinada, me dei conta que ela estava completamente correta em suas observações. Dos tantos lugares que me foram sugeridos para visitação, escolhi esse por estar encantado com o extraordinário formato da construção e por aqueles mesmos motivos já mencionados no início da matéria, sobre prédios modernos serem erguidos sobre ruínas ancestrais resultantes de contatos transoceânicos na Pré-História brasileira.

Realmente, a historiografia do Forte Dom Pedro II é muito pequena, apesar do seu formato curioso e das suas paredes monumentais. Segundo o IPHAN, a construção foi iniciada em 1850, confiada ao capitão José Maria Pereira de Campos, por determinação de uma comissão liderada pelo Marechal Francisco José de Souza Soares D’Andrea, com o objetivo de consolidar o domínio do estado sobre a região sul, ameaçada por estanceiros e por tropas argentinas lideradas pelo general Rosas. Foi abandonada em 1856, pelo fim das ameaças estrangeiras e por ser muito onerosa. Contudo, antes de o projeto da obra mencionada, já existia em 1848 uma pequena fortificação ligeira no local, que acredito ser ainda parte de uma ruína muito mais antiga.

Chegando ao forte, deparei-me com um local totalmente desprotegido e sujeito a depredações. Há travessia de pedestres dentro da ruína, como também foi possível estacionar o carro na área interna do forte entrando por essa mesma via onde as pessoas caminham. Também existem cavalos pastando na área e a explicação para isso está na própria história da fortificação, e em 1904 o forte que fora construído com tanto empenho e sofisticação, transformou-se em um pasto municipal. Tal desprezo pela construção é compreensível diante da pouca importância histórica que se dá a ela.

Um dos grandes monólitos na base. (Foto André de Pierre)

A edificação monumental tem paredes de oito metros de altura, uniformemente levantadas por um conjunto de argamassa, pedras pequeninas, médias e grandes, diferente do templo Frankenstein de São Miguel das Missões. O formato da pirâmide é um hexagrama, a primeira vista, com aparência de estrela, contudo, ao se refletir melhor, identificamos uma partícula de gelo, o que é realmente incomum! Fiz a primeira inspeção do entorno da construção na chuva, e, quando me dirige a face norte, localizei a área do forte que nunca foi terminada. Para a pesquisa foi extremamente importante a muralha estar inacabada, pois, ali pude identificar que na base existem grandes monólitos bem diferentes das pedras da parede, parte, talvez de uma construção muito mais antiga. Na entrada do forte, face sul, estão grandes megálitos, e, em um deles, tinha uma placa fixada que foi retirada, restando apenas sua marca.

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Como se não bastasse ter encontrado evidências tão interessantes em campo, parecidas com as de São Miguel das Missões, ao chegar ao meu escritório, comecei a observar uma série de fatos que foram se desenrolando como uma grande avalanche sobre minha cabeça. Os indícios são realmente inquietantes, então se prepare para as próximas linhas deste texto e tente absorver toda a informação, porque acreditem, para mim, foi difícil e inesperado.

A entrada do forte Dom Pedro II está na insólita latitude 30°30’30.00S. Por ser um hexagrama (Selo de Salomão), obviamente, já se pensa em uma simbologia maçônica ou geometria sagrada. Fato que me fez consultar alguns amigos maçons, outros conhecedores da cabala e hermetismo, que preferiram não se identificar para a matéria. Eles me relataram que o número está relacionado com graus de iniciação dentro da maçonaria, que são definidos pelos ângulos variantes de 15° a 60°, e também com a passagem do tempo e a evolução pela trindade através de triângulos equiláteros. Nesse momento, comecei a esquecer que a construção se tratava de uma muralha de alto custo para expulsar uma ameaça estrangeira que, sejamos honestos, não existia verdadeiramente.

Na minha tentativa de entender melhor, comecei a racionalizar sobre por que a maçonaria, em um primeiro momento, atuante na independência, contudo, contra a monarquia no próximo período, atuaria na construção de um forte no extremo sul do Brasil, em uma região basicamente sem importância no contexto nacional? Os pontos ainda não encaixavam. Foi quando lembrei dos alinhamentos da minha pesquisa entre antigos sítios arqueológicos no ângulo de 45°. Tive uma incrível intuição, o que se formaria com o Forte nesta perspectiva? Quando tracei a linha nesta direção tomei um grande susto! A edificação está alinhada em 45° com o Marco do Descobrimento em Porto Seguro! Esse monumento de pedra marca a chegada dos portugueses ao Brasil e sua origem é incerta. Contudo, o mais importante é que no alto do marco está inscrita a Cruz Templária! Isso mesmo, caros leitores! Novamente os nobres cavaleiros templários. Como nota, é importante salientar que o ângulo de 45° é um ângulo notável como 30°, de grande importância para trigonometria.

Imagem de satélite do forte. (Google Earth)

Para mim, isso tudo já evidenciava que a construção do Forte Dom Pedro II é muito mais significativa do que a história nos faz crer, ou mesmo, nos fez esquecer, diminuindo a importância da muralha, forjando desprezo e desmemória para esse edifício tão importante! Por quê? A resposta veio mais uma vez. Procurando novas evidências, fui atrás da história do construtor do forte, capitão José Maria Pereira de Campos, uma pista óbvia que qualquer um seguiria. O que descobri foi assombroso. Segundo o Dicionário bibliográfico brasileiro, vol. V, da Tipografia Nacional, de 1899, o capitão, após a construção, promovido a major, era cavaleiro da Ordem de Cristo (Cavaleiro Templário), aquela mesma, descrita no início da matéria, fundada em 1319 para manter o poder templário e que por consequência determinou a presença dos portugueses no Brasil. Estariam os templários escondendo ruínas de povos antigos advindos do oriente próximo na América? Qual é o significado da construção e seu objetivo verdadeiro? Por que foi abandonada?  Estou convencido de que tudo isso está alinhado com o que venho descobrindo pelo Brasil, e, a partir deste momento, a pesquisa atingiu um novo patamar, já que agora foram reveladas evidências concretas dessa presença oculta.

OS PETRÓGLIFOS GAÚCHOS

No mesmo dia, nos dirigimos ao penúltimo destino da expedição, para documentar os petróglifos de São Pedro do Sul. Pela BR-392, percorremos até Santa Maria, para depois acessar a BR-287. Um caminho de 140 quilômetros transcorridos de forma muito tranquila, apesar da chuva.

A manhã do dia 26 de julho estava nublada, a chuva tinha passado e a temperatura estava mais amena, uns 16 graus durante dia. Perguntamos para os moradores locais onde estavam os petróglifos da Pedra Grande, e, para minha surpresa, poucas pessoas conheciam. Por conta disso, nos enviaram a um local chamado Carpintaria, onde funcionava o Museu Arqueológico e Paleontológico Walter Ilha, que tem como atração os artefatos indígenas, fósseis de dinossauros e madeiras petrificadas do Período Triássico. A passagem por lá foi perfeita para a viagem, porque ali fotografei um croqui dos desenhos da inscrição rupestre, e, de fato, fica muito mais fácil de entender desta forma. A atendente do museu, disse-me que os pesquisadores, para variar, não sabiam o significado do petróglifo. Contudo, não é preciso observar muito o desenho para verificar que se trata de um mapa astronômico e de linhas para se fazer a contagem do tempo, pelos menos foi assim que interpretei, alguns leitores podem entender de forma diferente ao observar a imagem.

Croqui dos petróglifos que pode ser encontrado no Museu Arqueológico e Paleontológico Walter Ilha. (Foto André de Pierre)

No museu, recebemos indicações mais confiáveis sobre a localização dos petróglifos. Interessante que, pesquisando na internet, a impressão que tive foi de que a grande pedra onde existem as inscrições estaria dentro da área urbana da cidade, e lá tivesse uma proteção pública e organização para visitação. Entretanto, as pesquisas de campo fazem o pesquisador enxergar as coisas como elas são e, em verdade, a rocha com as gravuras está localizada na área rural, com certa dificuldade de acesso e apenas uma cerca delimitando a área, ou seja, está totalmente desprotegida.

Vista do paredão com petróglifos. (Foto André de Pierre)

Chegando ao local, já é possível observar o imenso bloco de arenito com 86,5 de comprimento e 9 de largura e muitas inscrições interessantes. Chamou-me a atenção alguns desenhos de cruzes e da letra H. Outro fato interessante é que existem gravuras em lugares altos, que, se considerarmos que uma pessoa faria o desenho no máximo até a altura de seu peito, diríamos que homens de mais de 2 metros estiveram por ali executando aquela obra. Importante também salientar que a maioria dos petróglifos são circulares, diferentes em tamanho e profundidade.

No alto da pedra parece existir um megálito, mas estava impossível subir sem equipamento devido a chuva que deixou a rocha muito escorregadia. Por fim, verifiquei novamente aquele conjunto de morro em formato piramidal e petróglifos, descrito a exaustão nas matérias da expedição. Atrás do monólito haviam dois cerros com essa característica.

Petróglifos de São Pedro do Sul. (Foto André de Pierre)

Terminando nossa jornada na Pedra Grande, voltamos pela estrada de terra, paramos em um sítio para comprar um típico queijo colonial e retornamos em direção a Santa Maria pela BR-392 em direção ao último ponto da expedição.

UM GRANDE ENIGMA

A última parte da expedição guardava um tesouro que todos os gaúchos que me ajudaram na expedição foram unânimes em me indicar, uma enigmática pedra com inscrições pitorescas chamada Pedra da CEEE – referência a Companhia Estadual de Energia Elétrica – que se encontrava em exposição dentro da Usina Hidrelétrica de Itaúba.

Usina Hidrelétrica de Itaúba no rio Jacuí. (Foto André de Pierre)

Quanto a beleza natural, esse último trajeto foi disparado o mais atraente. Nosso destino era a cidade de Pinhal Grande, localidade mais próxima da hidrelétrica. Passando Santa Maria, entramos na RS-149 e subimos uma serra onde fica a região da Quarta Colônia ou Quarto Núcleo de Imigração Italiana. Realmente uma região fantástica, que lembra muito a própria Itália. Seguimos passando por diversas cidades muito bonitas até que, em Nova Palma, há uma subida de estrada de terra, logo a seguir aparece a isolada Pinhal Grande. Apesar de o meu deslumbre, essa não é uma matéria de turismo, então, vamos ao que interessa.

No dia 27 de julho de 2018, o céu estava azul, com poucas nuvens, mesmo assim, muito frio. Seguindo pela estrada de terra Rincão do Apel, a nordeste da área urbana de Pinhal Grande, chegamos a enorme construção da usina no rio Jacuí. Nos identificamos e passamos a entrada, descemos por uma reta que logo a seguir se transformou em uma curva acentuada a direita. Lá embaixo, no nível do rio, estava a entrada da usina. Fomos muito bem recepcionados pelo Sr. Paulo, o operador, que logo nos mostrou a pedra, exposta depois da porta que dava acesso ao hall de entrada da área onde a energia é gerada.

Pedra da CEEE. (Foto André de Pierre)

A rocha é um fragmento de 28 centímetros de altura e 43 centímetros de largura, onde há inscrições de procedência incerta e muito enigmática. Pareceu-me uma escrita extremamente diferente das que temos hoje e os caracteres são anormais em relação a todos os petróglifos que já vi no Brasil. O relevo é positivo, também muito raro em inscrições rupestres brasileiras e imensa minoria em todo o mundo. Contudo, o mais impressionante e raro é que as inscrições foram feitas em uma espécie de painel. A frente da rocha foi toda polida com 1 centímetro de profundidade, conforme nossa medição. Segundo os servidores da Usina, no fundo do rio Jacuí, havia um grande painel com mais inscrições, esse é só um pequeno pedaço do todo! O local está determinado por um pequeno mapa que foi impresso e alocado no móvel onde a pedra está conservada dentro de um vidro, e fica próximo a barragem, talvez esteja a 40 metros de profundidade. Contudo, é extraordinário saber, mesmo que o sítio esteja depredado, que ela pode estar lá, no fundo da represa, intacta!

Monólito de onde foi extraído a Pedra da CEEE. (Foto André de Pierre)

 

Segundo funcionários da hidrelétrica, localização atual do monólito da Pedra da CEEE a 40 metros de profundidade. (Foto André de Pierre)

 


Leia o relato completo na Revista Enigmas Edição 3.