Teriam Os Fenícios Descoberto O Novo Mundo?

Moedas cartaginesas de 350 a.C. podem conter representações gráficas da América.

Se Mark McMenamin estiver certo, nem Colombo, nem os Vikings foram os primeiros estrangeiros a colocar os pés nas Américas. A teoria de McMenamin baseia-se nas moedas que ele acredita conterem o mapa mundi mais antigo ainda em existência. O autor do livro de 1994, Hypersea: Life on Land (co-escrito com sua esposa, Dianna, não publicado no Brasil), que revela uma nova teoria da gênese da vida na terra, pode ter feito mais uma descoberta, que joga uma radical nova luz sobre as concepções atuais acerca do mundo Clássico e da descoberta do Novo Mundo.

Utilizando imagens melhoradas por computador de moedas de ouro cunhadas na cidade Púnica/Fenícia de Cártago, ao norte da África, entre os anos 350 e 320 a.C. McMenamin interpretou uma série de desenhos que aparecem nessas moedas e cujo significado tem intrigado os estudiosos há muito tempo. McMenamin acredita que esses desenhos representam um mapa do mundo antigo, incluindo a área ao redor do Mar Mediterrâneo e a massa de terra que representa as Américas.

Se for verdade, essas moedas não só representam os mapas mundi mais antigos já encontrados, mas também indicam que os exploradores Cartagineses navegaram até o Novo Mundo uns bons 1.300 anos antes dos Vikings.

Foi seu interesse pelos cartagineses e fenícios como exploradores que levou McMenamin a estudar as moedas de ouro, conhecidas como staters. Os cartagineses estavam intimamente ligados aos fenícios do Oriente Médio em termos de cultura, idioma e empreendimento naval. Ambos os povos são amplamente creditados com importantes explorações de navegação pelo Mediterrâneo, pelas Ilhas Britânicas e ao longo da costa da África.

Em uma das moedas estudadas por McMenamin, um cavalo paira sobre alguns símbolos na parte inferior da stater. Por muitos tempo os estudiosos interpretaram esses símbolos como letras da escrita fenícia. Quando essa teoria foi descartada na década de 1960, os estudiosos ficaram perplexos. Usando um computador para ampliar e aprimorar as imagens nas moedas, o geólogo – auxiliado por sua familiaridade com as massas de terra e as placas tectônicas em movimento – conseguiu interpretar o desenho como uma representação do Mar Mediterrâneo, cercado pelas massas de terra da Europa. e da África com, no canto superior esquerdo, as Ilhas Britânicas. À extrema esquerda da representação do Mediterrâneo está o que o geólogo acredita ser uma representação das Américas.

Moeda fenícia que presumidamente contém um mapa do mundo antigo (Moeda-Mapa cartaginesa de aproximadamente 341 a.C. Aquilo que alguns estudiosos acreditam ser um mapa do mundo antigo aparece na área sob o cavalo. Jenkin-Lewis 9 . Foto de Mark McMenamin.
Este detalhe de uma das moedas de ouro mostra aquilo que McMenamin acredita ser um mapa da área do Mediterrâneo, cercada pela Europa, Britânnia, África, e (à esquerda) pelas Américas, cortesia de Mark McMenamin.

Vários textos clássicos reforçam essa teoria. Por exemplo, no século primeiro a.C. Diodorus da Sicília escreveu: … nas profundezas além da África há uma ilha de tamanho considerável … frutífera, grande parte montanhosa … Através dela fluem rios navegáveis. … Os fenícios a descobriram por acidente depois de terem implantado muitas colônias em toda a África. ”

– Eu sou só o cara de sorte que tem a expertise em geologia e geografia para analisar essas moedas sob uma nova luz, – explica McMenamin. – Eu me interesso pelos cartagineses como os maiores exploradores na história do mundo (que são).

O estudo dessas moedas tornou McMenamin perito na língua fenícia. Ele pulicou duas brochuras sobre seu trabalho com as moedas cartaginesas. Um, escrito em fenício antigo, sendo, provavelmente, o primeiro trabalho novo nessa língua em 1.500 anos.

O “The Numismatist”, uma das mais prestigiadas publicações sobre o estudo de moedas, aceitou o trabalho de McMenamin sobre sua teoria e publicará suas descobertas no segundo semestre deste ano. Enquanto isso, o estudioso está tentando conseguir acesso a outras moedas – ou suas réplicas em gesso – atualmente mantidas em coleções europeias. Ele espera que o acesso a elas pode ajudá-lo a comprovar a validade da teoria do mapa mundial.

– Se eu tivesse o tempo e o dinheiro, – McMenamin explica, meio que brincando, – eu estaria no norte da África, com o meu detector de metais, procurando moedas cartaginesas para confirmar minha hipótese.

Estudos adicionais podem revelar que foram os exploradores baseados na África e não na Europa que “descobriram” o Novo Mundo. McMenamin tem esperança de que, no mínimo, sua teoria fará com que outros estudiosos se interessem e deem atenção à antiga cultura cartaginesa.


Referências

https://phoenicia.org/america.html acesso em 26/08/2019

https://www.mtholyoke.edu/offices/comm/vista/9606/4.html acesso em 26/08/2019

Juliana Dotto

Advogada e Tradutora, com formação em linguística e literatura, apaixonada por História e curiosa por vocação.

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