Mauritânia É Realmente A Capital Da Atlântida?

Teria a mítica cidade sido finalmente encontrada?

Este artigo não visa, nem de longe, afirmar onde a lendária cidade tenha sido ou não localizada, apenas buscamos explorar as questões levantadas por alguns pesquisadores do tema.

A todo momento nos deparamos com alguém afirmando ter descoberto a localização da famosa cidade-ilha perdida de Atlântida. As equipes de pesquisa, tanto amadoras quanto profissionais, usam como fonte primária as obras do filósofo grego Platão (428 a.C.), Crítias e Timeu. O sábio grego, considerado um dos maiores da antiguidade clássica, foi o responsável por nos transmitir a lenda (?) e a curiosidade incessante por encontrar, se possível, as ruínas de tão fantástica cidade. Com (o que resta de) seus livros em mãos, entusiastas, curiosos e acadêmicos, os “Caçadores da Atlântida Perdida”, por assim dizer, saem pelo mundo buscando elucidar o mistério de sua localização e, consequentemente, de sua existência.

Alguns pesquisadores contam com respaldo acadêmico e, normalmente, propõem soluções consideradas sensatas pela maioria – proposições firmemente arraigadas nas normas universitárias formais – para essa antiquíssima questão. Entretanto, pesquisadores “alternativos”, justamente por não estarem presos aos moldes acadêmicos, podem procurar com maior liberdade e criatividade.

Em setembro de 2018, um youtuber, conhecido apenas como Jimmy, propôs em seu canal, Bright Insight, que a Atlântida estava escondida à vistas de todos (com satélites, é claro) esse tempo todo, numa parte do deserto do Saara, na Mauritânia. Ele afirma que a Estrutura de Richat corresponde perfeitamente com as descrições do filósofo grego, suas características topográficas sugeririam um cataclismo e, por isso, esse seria o local exato da cidade mais impressionante de que já se teve notícias. Obviamente, há quem refute sua teoria com veemência.

A ESTRUTURA DE RICHAT

Quartzitos do período Paleozoico formam a base resistente que delineia a estrutura.
créditos da imagemt: NASA/GSFC/MITI/ERSDAC/JAROS, and U.S./Japan ASTER Science Team
última atualização: 7/Ago/2017
Editor: Administrador de Conteúdos da NASA (NASA Content Administrator)
(https://www.nasa.gov/multimedia/imagegallery/image_feature_528.html)

A Estrutura de Richat (Latitude: 21.125°, Longitude: -11.403611°, 21 7′30″ Norte , 11°24′13″ Oeste) é uma formação geológica circular situada próxima a Ouadane, na Mauritânia, e vem atraindo a atenção desde as primeiras missões espaciais por causa de sua forma peculiar, um olho perfeito no meio do deserto. Também conhecida como o “Olho da África” ou o “Olho do Saara” ou ainda como o “Domo de Richat”, possui 45 quilômetros de diâmetro (28 milhas), é formado por rochas ígneas e sedimentares, e já foi descrita até como um enorme dragão no meio do deserto, dependendo do ângulo, da amplitude da foto e da imaginação de quem a observa.

Sua estrutura é tão impressionante que tornou-se uma das referências em solo para astronautas/cosmonautas. Acreditava-se que sua formação se devia ao impacto de um meteorito, por causa da sua circunferência tão precisa. Hoje, acredita-se que seja resultado do que os geólogos classificam como um dobra anticlinal¹ – erodida para expor as camadas de rocha originalmente planas.

PLATÃO E A ATLÂNTIDA

Resumidamente, Platão diz, em suas obras “Timeu ou a Natureza” e “Crítias ou a Atlântida”, ter recebido de seu ancestral, Sólon (640 a.C.) – um dos sete sábios da Grécia Antiga, estadista, legislador e poeta – a história do terrível ocaso do reino de Atlântida. Segundo Platão, seu ancestral, Sólon, lhe teria confiado manuscritos copiados de um templo egípcio que registravam a destruição da cidade-ilha em 11.600 a.C.

Os motivos para a destruição de tão prodigioso povo seriam a corrupção e a imoralidade, de acordo com os costumes gregos. Os deuses, ofendidos pelo comportamento e pela maldade dos atlantes, decidiram por puni-los com a destruição total de sua ilha em uma única noite de terror em que tremores de terra fortíssimos acabaram por lançar a cidade no fundo do mar.

É importante ressaltar que o filósofo grego ao situar a Atlântida nos dá apenas pistas, nunca sendo específico. Em Crítias ele nos dá o direcionamento da Atlântida a partir do Egito (de onde supostamente ele recebeu a história) e da Grécia. Platão diz que a cidade ficava “além dos Pilares de Hércules”². Mas o que são os pilares de Hércules e por que isso seria importante?

Os Pilares de Herácles ou Pilares de Hércules (Latitude: 36.143, Longitude: -5.353, 36° 8′ 35″ Norte, 5° 21′ 11″ Oeste.) são dois promontórios a leste do Estreito de Gibraltar. O pilar ao norte é a própria Rocha de Gibraltar, em Gibraltar, o pilar ao sul foi identificado como um entre dois picos: Jebel Moussa (Musa), no Marrocos, ou o Monte Hacho (território espanhol), próximo à cidade de Ceuta. Os pilares são famosos na mitologia grega por terem sido colocados em seu lugar pelo herói e semideus grego Héracles (ou Hércules) como um memorial por ter capturado o gado do gigante Geryon – um de seus 12 trabalhos.

Essa informação é muito importante porque exclui das buscas por Atlântida o mar dentro dos Pilares de Hércules, que forma apenas uma baía de boca estreita (o Mar Mediterrâneo) e não pode ser confundido com um oceano – que, por fim, teria tragado a cidade. De modo que seria mais provável encontrar seus vestígios no oceano que leva o nome do primeiro rei atlante, Atlas; do que em Santorini, Grécia, e o que resta de Tera, o vulcão que ao entrar em erupção destruiu a ilha grega e provavelmente soterrou a cultura minoica inteira em suas cinzas – a teoria mais aceita pelo meio acadêmico.

Gibraltar
Encyclopædia Britannica, Inc. https://www.britannica.com/place/Gibraltar/media/1/233245/54828

ATLÂNTIDA NA MAURITÂNIA?

A teoria proposta pelo youtuber, baseia-se nas fotografias aeroespaciais da Estrutura de Richat e suas medições pelo aplicativo de computador Google Maps, além das obras de Platão, claro. De acordo com Jimmy, os aplicativos mediram o Olho do Saara e encontraram 23,5 km de diâmetro enquanto Platão afirma em suas descrições que a ilha media 127 estádios ou 23,49 km. Os tamanhos são incrivelmente semelhantes.

Há também o fato de que o povo que habita a região até hoje e que deu nome ao país, os Mauri, contam que seu primeiro rei chamava-se Atlas, o filho mais velho de Poseidon e rei de Atlântida, traçando assim sua ancestralidade até os míticos atlantes.

Baseando-se nas descrições topográficas contidas nas obras do filósofo grego, “… e quebrando o chão, cercou o morro em que ela habitava todo, fazendo zonas alternadas de mar e terra cada vez maiores, cercando umas às outras; havia dois de terra e três de água, que ele virou como um torno,…” ( Crítias, pág. 23) e , sobre uma montanha ao norte da cidade: ” … abrangendo uma grande planície de uma forma oblonga no sul”, Jimmy aponta as semelhanças com as fotos dos satélites e descreve o que seriam ainda os leitos secos de rios que outrora abasteceriam a cidade de água potável.

O melhor argumento, no entanto, é o visual. De posse das imagens por satélite, ele aponta montanhas, leitos de rios, planícies e levanta a hipótese de uma tsunami tão grande que teria estriado toda aquela região por volta de 12.000 anos a.C. – época que coincide com a teoria do Dryas Recente ou hipótese do cometa Clóvis, segundo a qual esse cometa teria atingido a terra e dado início à última era glacial. Isso teria feito com que os níveis oceânicos oscilassem muito submergindo áreas inclusive no Saara. De fato, quando olhamos para as imagens em plano mais aberto, temos a nítida impressão de que uma vassoura varreu o topo do deserto, ou a água quando voltou ao leito do oceano. Impressionante!

Bright Insight
Bright Insight

Ele nos apresenta imagens supostamente da região que mostram poços de água revestidos de tijolos de barro, pedras nas cores descritas por Platão e até um mapa do historiador grego Heródoto, onde consta o nome “Atlantes” onde deveria estar escrito em Mauri, coincidentemente na mesma região onde está o Domo de Richat. Jimmy também demonstra fotos de artefatos recuperados, ferramentas, pontas de flechas, esferas de pedra, pinturas em cavernas e outros, todos de origem incerta.

Ele nos mostra ainda estruturas desconhecidas captadas pelos satélites dentro da área do Olho do Saara. Levando o expectador a conjecturar a possibilidade de que tais estruturas possam ser vestígios de antiquíssimos assentamentos humanos. E promete dinheiro a quem lhe trouxer evidência de que a área já esteve submersa, conferindo à sua teoria o peso da certeza. Sua narrativa nos convence de imediato e ficamos com a sensação de que os arqueólogos estão dormindo no ponto.

Estrutura desconhecida dentro do Olho de Richat. Foto de 31 de julho de 2019. Google Maps
Localização da estrutura desconhecida em relação ao Olho de Richat. Foto de 31 de julho de 2019. Google Maps
17 de Dezembro de 2011 JPEG
Fotografia ISS030-E-12516, tirada por astronautas em 17 de dezembro de 2011, com uma câmera Nikon D2Xs digital usando lentes de 400 milímetros e cedida pela Instalação de Observação Terrestre da Ttripulação da Estação Espacial Internacional e Unidade de Ciência Terrestre e Detecção Remota, Johnson Space Center (ISS Crew Earth Observations Facility and the Earth Science and Remote Sensing Unit). A imagem foi capturada por um membro da tripulação da Expedição 30 e foi cortada e aprimorada para melhorar o contraste, e os artefatos da lente foram removidos. O Programa Estação Espacial Internacional apoia o laboratório como parte do Laboratório Nacional da ISS para ajudar os astronautas a tirarem fotos da Terra que serão de grande valor para os cientistas e para o público, e para disponibilizar essas imagens gratuitamente na Internet. Imagens adicionais tiradas por astronautas e cosmonautas podem ser vistas na NASA / JSC Gateway para Astronaut Photography of Earth. Legenda de Andrea Meado, Jacobs Technology, Contrato JETS na NASA-JSC.
(https://earthobservatory.nasa.gov/images/92071/richat-structure

O OUTRO LADO DA QUESTÃO

O que dizem os acadêmicos e os céticos? Que o nosso amigo youtuber apenas juntou um monte de evidências circunstanciais, exagerou sua importância e significado, ignorou tudo que não se encaixava em sua teoria, ignorou ainda todos os “estudos genuínos”, para criar a impressão de que ele está certo. Acrescentou a isso uma narrativa entusiasmada e uma boa dose de sarcasmo. Fumaça e teatro!

Refutam a teoria de que a Estrutura de Richat poderia ser a Atlântida enfatizando que é consenso entre os acadêmicos de que a cidade perdida é um mito! Platão jamais teria afirmado que a Atlântida fosse real ou que tenha algum dia existido.

Quando estudamos filosofia, nas escolas e universidades, os professores repetem inúmeras vezes que o filósofo teria usado esse reino perdido como uma “ferramenta alegórica para a retórica do império maligno destruído pelos moralmente puros atenienses e, por conseguinte, varrido da Terra pela ira dos deuses”³.

É grande a improbabilidade de que a história dessa antiga cidade, que àquela época contava já nove mil anos, tenha sido confiada somente a Platão. Além de tudo, não foram encontrados quaisquer registros de que seus contemporâneos tenham tomado por verídica suas descrições dessa cidade, “para eles seria apenas uma anedota moral, um aviso sobre as consequências da imoralidade e da corrupção, não história de fato”4.

Quanto ao fato de que a Estrutura de Richat é uma série de anéis concêntricos e que se encaixaria nas descrições de Platão? Bem, a única coincidência é de que realmente são anéis concêntricos. Entretanto essa é uma formação natural e não é, exatamente, rara. Geólogos chamam esse tipo de estrutura de “dobra anticlinal”, um domo de magma erodido, neste caso.

Afirmar que o Olho do Saara seria o que restou da cidade de Atlântida requer muita imaginação. A estrutura teria que ter sido preenchida com água do mar, visto ser descrita como uma cidade-porto, cuja frota naval meteria medo em todos os seus estados contemporâneos, mar esse que não está a uma distância suficientemente próxima nem para que se formassem os “dois anéis de terra e três de água. Os especialistas apontam também para o fato de que os anéis não são completos e que se olharmos com atenção poderemos contar quatro anéis que poderiam ser preenchidos com água e não três.

Esse é um bom exemplo de como os detalhes que não se encaixam na teoria defendida por leigos entusiasmados são ignorados.

Ainda, Platão descreve um canal que corre através das muralhas da estrutura interna, interligando os anéis. Não se vê nada assim nas fotos aeroespaciais.

Ele argumenta que a Estrutura de Richat possui as mesmas dimensões da descrição grega e que teria por volta de 23,5 km de diâmetro. A NASA mediu a estrutura do espaço, com equipamentos mais sofisticados que um aplicativo de fotos e encontrou 45 km de diâmetro de uma borda à outra. O tamanho é diferente, e muito maior!

Jimmy data a queda de Atlântida a 11.600 anos atrás para coincidir com a hipótese do Dryas Recente, um evento climático ocorrido entre 12.900 a 11.700 anos atrás. Esse evento foi um retorno temporário à era glacial que derrubou as temperaturas no hemisfério norte. De acordo com a teoria refutada, esse evento, que durou exatos 1.200 anos comprovados por inúmeros estudos de variação climática, durou um único dia e ocorreu cem anos após o seu término real. Para que se encaixe nessa teoria as datas de eventos naturais corroborados por pesquisadores do mundo todo teriam que ser alteradas. Além disso, não há qualquer elemento que indique que esse evento tenha afetado regiões equatoriais, onde está localizado o Olho do Saara. De modo que não apenas a época está errada mas também o local afetado.



Outro fato ignorado por essa teoria é que ao descrever seu ocaso, Platão culpa um terremoto tão violento que a cidade é tragada pelo Oceano Atlântico. Bom, o Richat não está no fundo do oceano. O Olho do Saara situa-se no… Saara!! O Deserto! Há areia onde não há montanhas mas isso não significa que sejam planícies como as descritas pelo filósofo.

A teoria de que talvez, em algum momento no passado distante, tivesse ocorrido um deslizamento de terra suficientemente forte a ponto de dar ao terreno o aspecto de areia varrida em direção de onde hoje está o oceano, é um pouco exagerada quando olhamos as imagens de satélite. Teria de haver ocorrido um cataclismo muito maior e de consequências muito mais trágicas do que o desaparecimento de uma única ilha, por maior que fosse, para justificar o alcance que essa tsunami deveria ter alcançado na data proposta de 12.000 anos atrás.

Isso nos leva ao problema basilar de sua teoria: o Olho do Saara não é uma ilha – teria sido tanto tempo atrás? Improvável, não há nenhuma indicação geológica de que o fosse. De qualquer modo, o Richat não afundou no mar, ficou preso no deserto!

Aliás, as evidências geológicas apontam a idade do deserto em alguns milhões de anos e não há qualquer evidência de que a África Ocidental tenha estado sob o mar alguns milhares de anos atrás.
Outro fato interessante e que literalmente joga areia nessa teoria é que não há qualquer sinal de uma cidade no Domo de Richat, não há sequer sinais de algum assentamento humano, por menor que seja. Platão descreveu uma cidade grande e avançada, onde estão as evidências arqueológicas dessa civilização? Seus artefatos? Sua tecnologia? Sua engenharia? Onde estão os vestígios de suas muralhas? Não sobrou nada, nem uma pequena cerâmica quebrada?

Ignorar dados como esses é o que classifica essa teoria como pseudociência e desacredita seus propositores que se tivessem interagido com especialistas em geologia, climatologia, paleontologia e etc, em suma, pesquisado de verdade, essas questões teriam sido exploradas e solucionadas.

Mas eles preferem causar alvoroço, fazer vídeos no YouTube, explorar os desavisados e garantir “Likes”.

Há fatos interessantes na teoria proposta. Que evento geológico poderia ter causado a aparência de “areia varrida” no solo do deserto? É possível que alguma civilização pudesse ter aproveitado a estrutura natural das dobras anticlinais para erguer sobre elas uma fortificação, ou mesmo uma cidade? Só essas duas questões valem uma boa investigação.

A probabilidade de Platão ter recebido de Sólon os documentos adquiridos sobre essa fantástica cidade não são assim tão diminutas, considerando-se que não haviam tantas pessoas letradas mesmo há cinquenta anos, que dirá 2.000 anos atrás. Do mesmo modo, não se pode descartar os dados científicos obtidos com tanto empenho e estudo simplesmente porque contradizem nossas expectativas. Por fim, é fundamental, ao nos depararmos com um problema, encará-lo com a mente aberta às possibilidades mais estranhas, pois o mundo é repleto de maravilhas ainda inexplicáveis!


Notas

1 Dobra Anticlinal: dobra com convexidade para cima, quando conhecidas suas relações estratigráficas, ou seja, rochas mais antigas encontram-se no seu núcleo. www.neotectonica.ufpr.br/aula-geologia/aula8.pdf

2 Pilares de Héracles: PROMONTÓRIOS, ESTREITO DE GIBRALTAR – escrito por: Os Editores da Encyclopaedia Britannica.  https://www.britannica.com/place/Pillars-of-Heracles

3 anotações de aula da própria autora da disciplina “filosofia do direito”- IESB (2010).

4 anotações de aula da própria autora da disciplina “filosofia do direito”- IESB (2010).


Referências

Bright Insight – YouTube – https://www.youtube.com/watch?v=oDoM4BmoDQM&t=1s

NASA: https://www.nasa.gov/multimedia/imagegallery/image_feature_528.html

NASA: https://earthobservatory.nasa.gov/images/92071/richat-structure

Platão: TIMEU E CRITIAS OU A ATLANTIDA – Editora: Edipro, Edição:  1, Ano:  2012. ISBN:  857283799X

Atlantis Found (Again)! And Exasperated Scientists (Again) Raise Their Eyebrows – by Laura Geggel,: https://www.livescience.com/64176-lost-city-atlantis-spain.html

No – Atlantis Has Not Been Discovered in North Africa – by Steven Novella: https://theness.com/neurologicablog/index.php/no-atlantis-has-not-been-discovered-in-north-africa/

Encyclopaedia Britannica:  https://www.britannica.com/place/Pillars-of-Heracles

Juliana Dotto

Advogada e Tradutora, com formação em linguística e literatura, apaixonada por História e curiosa por vocação.

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