Como Surgiu O Sistema De Contagem Do Tempo Que Utilizamos Até Hoje

Conheça a história do tempo. Entenda como surgiu o primeiro sistema de contagem e qual foi o povo responsável por sua criação. “Janeiro, Fevereiro, Março… Horas, Dias, Meses, Anos…” , quem são os inventores? Onde se basearam para criar o sistema há aproximadamente 6 mil anos atrás?

Desde que o Homem é Homem pensante ele se interessa por Astrologia, Astronomia e pelo tempo, ou melhor, pela contagem deste. Isso aconteceu pela necessidade de uma maneira exata de contagem do tempo e das estações, para poder alcançar o sucesso desejado nas mais diversas atividades, como plantio, colheitas e outros.

Bom, como sabemos, este sistema foi criado e está em uso até os dias atuais. Como foi descoberto, ou melhor, inventado esse sistema de contagem do transcorrer do tempo? Como homens sem tecnologia avançada – pelo menos ao que se sabe – conseguiram inventar esse sistema tão complexo e exato há milênios atrás? Descobriremos agora a História do tempo.

Hoje em dia contamos com segundos, minutos, horas, dias e assim por diante. Tudo isso é resultado de estudos astronômicos, astrológicos e matemáticos realizados milênios atrás, na Antiga Suméria e Babilônia. Os sumérios foram as pessoas naturais da antiga Suméria, que era localizada no sul da Mesopotâmia, onde atualmente se localiza o Iraque e o Kuwait. Mais tarde, devido alguns acontecimentos históricos, os sumérios se “juntaram” com outros povos e deram origem à Babilônia.

Não é segredo que os sumérios contribuíram para muitas das coisas que usamos hoje poderem existirem, em suas epopeias e tabuletas estão registradas histórias, estudos, mitos, crenças, invenções e descobertas.

Sabemos nos dias de hoje que os sumérios inventaram e fabricaram o bloco de tijolo cerâmico, criaram a escrita, o sistema de numeração, produziram bronze, a roda e outras inúmeras invenções e descobertas que contribuíram para a evolução de todas as civilizações posteriores.

Marcamos o tempo hoje com relógios que marcam segundos e horas, mas como teria surgido o primeiro relógio? Na verdade, nossos antepassados já conheciam as horas do dia muito antes de o relógio moderno ser inventado. O relógio mecânico é uma invenção do século 14, enquanto que a divisão do dia em 24 horas surgiu por volta de 5.000 anos atrás, na Babilônia.

O ponto chave desse sistema numérico foi a definição do meio-dia. Analisando o movimento da sombra provocada pelo Sol, os babilônios descobriram que havia um momento em que a estrela ficava a pino no céu, sem projetar sombras para os lados. Esse momento ficou conhecido como meio-dia. Os babilônios então dividiram o restante da trajetória da sombra em 12 partes: seis antes do meio-dia (manhã), e seis depois (tarde). Estava criada a divisão do dia em 24 partes (horas) a outra metade, claro, era a noite. Para fazer essa marcação da trajetória da sombra, os babilônios criaram o relógio de sol.

Representação de como teria sido o Primeiro relógio de sol inventado pelos Babilônios, levando em consideração estudos dos seus antecessores sumérios. Disponível em http://bebecosmico.blogspot.com/2009/01/21478

Mas isto aconteceu bem depois dos primeiros estudos realizado pelos antigos sumérios, que inclusive, possibilitaram essa invenção. Dentre os registros encontrados por arqueólogos, está, talvez, um dos mais importantes registros dos estudos do que hoje chamamos de calendário. É óbvio e lógico que nos dias atuais esses sistemas ganharam algumas diferenças, inclusive versões variando de acordo com o local ou a cultura em que é utilizado.

COMO OS SUMÉRIOS CRIARAM O SISTEMA DE CALENDÁRIO?

Imagem retirada do livro “ Uma breve História da Astronomia” – Disponível em: https://www.academia.edu/30117539/Uma_Breve_História_da_Astronomia

Desde o início dos tempos, o cosmos e os astros tem sido motivo de fascinação, mistério e pesquisa para os homens de diferentes culturas e épocas, mas atribui-se aos sumérios e seus sucessores babilônios os avanços mais importantes, até porque foram eles os primeiros a identificar a ligação dos astros com fenômenos terrestres.

Em que eles se basearam para criar esse sistema? Arqueólogos e historiadores afirmam que de acordo com o que sobrou de algumas tabuletas parcialmente destruídas, pode-se evidenciar que eles identificaram o exato ponto em que a terra e o céu se encontram –conhecido hoje como horizonte, após isto, usaram a paisagem para demarcar pontos de referência e com isso registraram os movimentos diários do sol dia após dia, por alguns séculos.

Ao analisar que a cada dia o sol nascia em uma posição diferente em relação ao dia anterior, eles perceberam que existe um momento no ano em que o Sol sai dois dias no mesmo lugar, nesses dois dias, o dia e a noite tem a mesma duração. Percebendo que esse evento acontecia duas vezes a cada órbita ao redor do sol, os sumérios o converteram em um ponto de referência Solar que chamaram de Equinócio e baseando-se nisso, começaram a contar o transcorrer do tempo na terra.

Exemplo de sistemática suméria para a criação do calendário – Documentário “Conexão Atlantes” – www.youtube.com.br

Os astrônomos sumérios, mais pela dedicação e persistência do que por alguma técnica especial, foram por séculos e séculos obtendo conhecimentos fundamentais, tornando-se exímios nos mistérios celestes. Escolheram alguns corpos celeste e, pacientemente, foram seguindo-os pelo firmamento, num rastreamento sem tréguas, que após algumas centenas de anos, resultou em um sistema preciso que os permitia se situar no transcorrer do tempo, prever cheias, secas e demarcar estações.

Pelo que se sabe, os sumérios contavam com duas estações no ano, Emesh, temporada que começava no primeiro Equinócio, e Enten, que começava no segundo Equinócio. Cada uma dessas estações contava com seis ciclos lunares, formando assim um ano com 2 estações e 12 ciclos lunares. Bom, caso você ainda não tenha percebido, essas duas estações são semestres, e os ciclos lunares são meses, exatamente como nós conhecemos ainda nos dias de hoje.

Sabe-se que os sumérios denominavam os dias de acordo com os deuses cultuados por eles e baseavam-se pelas fases da lua, criando assim o primeiro calendário lunar, que alguns séculos depois foi sincronizado com o ano solar pelos babilônios, gerando o calendário lunisolar e as horas do dia, que já foram mencionadas.

Mas os sumérios não pararam por aí: descobriram os conceitos do que hoje conhecemos como astronomia esférica, polos, eixos de rotação, equinócios, solstícios e o mais incrível, descobriram e batizaram o ciclo chamado de precessão dos equinócios, que aos olhos da astronomia foi o fenômeno mais difícil de se identificar, até por que esse ciclo demora mais de vinte e cinco mil anos para se completar.

A precessão dos equinócios, também conhecida como precessão da Terra ou o grande dia é um dos vários movimentos que a Terra realiza, ele ocorre graças ao fato de a Terra realizar o seu movimento de rotação de forma inclinada, o que provoca que, a cada 25.770 anos, ela completa uma volta em torno do eixo de sua eclíptica. Recebe esse nome porque tem a capacidade de antecipar ou preceder os equinócios.

Assim, a cada ano, os equinócios são antecipados 20 minutos, de forma que, a cada 2 mil anos, temos um mês de diferença, isso ocorre por conta do ângulo do eixo de inclinação da Terra, que é de 23,5º, um valor não muito elevado, o que explica o fato de esse movimento ser relativamente lento, tornando-o quase imperceptível para nós, variando em menos de 1º de deslocamento por ano.

Representação da Precessão, movimento terrestre que possibilita a mínima antecipação de um equinócio. – Disponível em: www.google.com

Do ponto de vista das estações do ano, as alterações são praticamente nulas, mas do ponto de vista astronômico o evento é considerado extremamente relevante. Supõe-se que os sumérios descobriram esse ciclo ao perceber que os equinócios sofriam esse atraso a cada ano, sobre este ponto não se encontram registros, apenas teorias.

Após todas essas descobertas realizadas por sumérios e babilônios, ficou fácil para as civilizações posteriores como egípcios, gregos e romanos construírem seus próprios calendários com suas peculiaridades, e foi o que fizeram. Depois que essas antigas civilizações adotaram o uso do calendário, o adequaram as suas culturas, denominando dias, estipulando semanas e etc.

QUAL A HISTÓRIA DO NOSSO CALENDÁRIO?

Muitas pessoas não sabem, mas o calendário Gregoriano, que é o que nós utilizamos nos dias atuais, não é o único calendário utilizado no mundo, existem outros como o Judaico, o Islâmico, o Chinês, o Etíope e outros.

De acordo com alguns pensadores, como Plutarco (45-125), no princípio desse sistema o ano tinha dez meses e começava por Martius (atual março). Os outros dois, janeiro e fevereiro, teriam sido acrescentados por Numa Pompílio, o segundo rei de Roma, que governou por volta de 700 a.C., ou seja, nessa época o ano terminava no último dia de fevereiro e começava no primeiro dia de março.

Calendário Etíope – Disponível em: https://www.ecured.cu/Calendario_et%C3%ADope

Vamos falar do Gregoriano, que é o que nos interessa. O calendário gregoriano é de origem grega, utilizado oficialmente pela maioria dos países, foi promulgado pelo Papa Gregório XIII em 24 de fevereiro do ano 1582 em substituição ao calendário juliano, implantado pelo líder romano Júlio César em 46 a.C, após o Calendário de Numa Pompílio cair em desuso.

O Papa Gregório XIII reuniu um grupo astrônomos, astrólogos e matemáticos para corrigir Calendário Juliano. O objetivo da mudança era fazer regressar o equinócio da primavera para o dia 21 de março, bem como desfazer o erro gerado pelo tempo da elíptica terrestre. E qual seria esse erro? Temos que considerar que o tempo de translação da Terra em torno do Sol não é de exatas 24 horas, esse tempo varia em alguns minutos ou segundos, fazendo com que um ano solar tenha exatos 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos.

Essas horas que “sobravam” a cada ano acabavam gerando novos dias ao longo dos séculos, o que desregulava os calendários, então os estudiosos do Papa Gregório apresentaram a solução. Após, foi promulgada a bula papal Inter Gravissimas que resolveu esse problema da seguinte maneira: decretou que quinta-feira, 4 de outubro de 1582, seria imediatamente seguida de sexta-feira 15 de outubro para compensar a diferença acumulada ao longo de séculos entre o calendário juliano e o ano solar, surgindo assim o famoso termo “Os dez dias que nunca existiram”.

Representação do primeiro calendário Gregoriano no mês de outubro de 1582, mês em que ocorreu mudanças dos 10 dias https://segredosdomundo.r7.com/calendarios/

Para que tal erro deixasse de acontecer, a bula Inter Gravissimas também decretou a implementação do ano bissexto, que eliminou os dias extras os dividindo e situando-os em apenas 1 único dia de 4 em 4 anos, o famoso dia 29 de fevereiro.

QUAL A ORIGEM DOS NOMES DOS DIAS E MESES DO NOSSO CALENDÁRIO?

O calendário que usamos é uma evolução do Antigo Calendário Romano, como já dito, e os nomes utilizados para os meses, vieram dos deuses que estes cultuavam. Na língua portuguesa, a origem dos nomes dos dias da semana vem da Idade Média.

Mas a palavra semana vem de outras origens, o hábito de agrupar os dias em períodos de sete unidades que hoje chamamos semana, é originário dos babilônios e foi adotado pelos gregos e romanos, que deram nome a estes períodos tendo como base o número sete. Os gregos os chamaram hebdomás, ou hepta – sete, palavra que perdura até os dias de hoje como hebdomadário, que significa “semanal, semanário”. Em Roma, foi adotado o nome septimana, que chegou ao espanhol e ao português como semana.

O domingo é derivado do latim “dies Dominica“, significa dia do Senhor, e é considerado o último da semana para os cristãos, ou seja, o sétimo dia, quando Deus descansou da criação do mundo. Era no dia da missa que havia maior aglomeração de pessoas e, por isso, os agricultores se reuniam em torno da igreja para vender seus produtos, surgindo o primeiro dia de feira. O dia seguinte, consequentemente, era o segundo, ou seja, segunda-feira, e daí por diante até chegar ao sábado, cuja origem é o termo hebraico shabbatt, considerado o último da semana para os judeus.

Já para os norte-americanos a história é um pouco diferente, o nome dos dias vem dos deuses da mitologia nórdica, sendo chamados de:

  • Sunday: Sun’s Day – Dia do Sol, na mitologia nórdica o Sol era personificado pelo deus Sigel.
  • Monday: Moon’s Day – Dia da Lua, que era personificada pela deusa Máni, irmã de Sigel.
  • Tuesday: Tyr’s Day – Dia de Tyr, deus do combate e dos céus, foi o precursor de Odin.
  • Wednesday: Woden’s Day – Dia de Odin, Woden é uma variação do inglês antigo para o nome de Odin. O “pai de todos” era o líder dos deuses nórdicos e governava Asgard.
  • Thursday: Thor’s Day – Dia de Thor, um dos deuses mais conhecidos, Thor é o deus do trovão e filho de Odin.
  • Friday: Frigg’s Day – Dia de Frigga, deusa da fertilidade, amor e união. É a esposa de Odin e madrasta de Thor.
  • Saturday: Saturn’s Day – Dia de Saturno, o único dia que manteve sua origem romana, seu nome homenageia o deus Saturno.

Os nomes dos meses que utilizamos no calendário Gregoriano são de origem romana, cada um com seu significado mitológico ou astronômico.

Janeiro é o primeiro mês do nosso calendário, vem do calendário Juliano, o qual o Gregoriano foi baseado. O nome provém do latim –Ianuarius, décimo primeiro mês do calendário de Numa Pompílio, que era usado antes do calendário Juliano.  O nome é uma homenagem a Jano, deus da mitologia romana.

Fevereiro é o segundo mês Gregoriano, o termo deriva do latim “februarius”, que vem de Februus, deus da morte e da purificação Etrusca.

Março é o terceiro mês Gregoriano, seu nome deriva de Marte, deus da guerra para os romanos.

Abril é o quarto mês Gregoriano, seu nome deriva do latim “Aprilis”, que deriva de “abrir”, seria a época do desabrochar da primavera.

Maio, o quinto mês Gregoriano é uma Homenagem a Maia, uma das deusas da primavera. Seu filho era o deus Mercúrio, pai da medicina e das ciências ocultas. Por esse motivo, segundo escreveu Ovídio na obra (Fastos), Maius era chamado de “o mês do conhecimento”.

Junho sexto mês Gregoriano, faz alusão a Juno, a esposa de Júpiter. Se havia uma entidade poderosa no panteão romano, era ela, a guardiã do casamento e do bem-estar de todas as mulheres.

Julho, sétimo mês Gregoriano, chamava-se Quinctilis e era simplesmente o nome do quinto mês do antigo calendário romano, até que, em 44 a.C. o Senado romano mudou o nome para Julius, em homenagem a Júlio César.

Agosto, oitavo mês Gregoriano, antes era chamado de Sextilis, “o sexto mês”. De acordo com o historiador Suetônio, o nome Augustus foi adotado em 27 a.C., em homenagem ao primeiro imperador romano, César Augusto (63 a.C.-14 d.C.).

Para os últimos quatro meses do ano, a explicação é simples: setembro vem de Septem, que em latim significa “sete”. Era, portanto, o sétimo mês do calendário antigo. A mesma lógica se repete até o fim do ano. Outubro veio de October (oitavo mês, de octo), novembro de November (nono mês, de novem) e dezembro de December (décimo mês, de decem).

Como vimos, as medidas de tempo e calendários já nos acompanham a muito mais tempo do que se imaginava, e como todas a outras coisas existentes, passaram por períodos de estudos e evoluções até chegar onde estão hoje. Quem sabe quando será a próxima grande mudança do tempo, adicionando ou retirando dias e meses? Será que isso pode acontecer de novo, assim como já aconteceu várias vezes na antiguidade? “Respostas sobre o tempo, somente o tempo pode nos trazer”.


Referências

LIVROS: ANTELO, DAVID; La Conspiracion Atlante; SIRENA, 2008. – Disponível em: http://atlantisforschung.de/index.php?title=David_Antelo_Justiniano

HAWKINS, Stephen; Uma Breve História do Tempo, Rio de Janeiro, Gradiva, 1988.

CANIATO, Rodolpho. (Re)Descobrindo a Astronomia. 2. ed. Campinas: Átomo, 2013.

KRIWACZEK,Paul; Babilônia, A mesopotâmia e o nascimento da civilização; Rio de Janeiro; Zahar; 2018.

Sites:

Web Archive – Disponível em http://web.archive.org/web/20090331110332/ – acesso em agosto de 2019

Blog Socultura – Disponível em http://www.socultura.com:80/socultura-historia.htm -acesso em agosto de 2019

Crystalinks – Disponível em https://www.crystalinks.com/sumercalendars.html – acesso em agosto de 2019

BrasilEscola – Disponível em https://brasilescola.uol.com.br/geografia/precessao-dos-equinocios.htm – acesso em agosto de 2019

Historiaschistoria – Disponível em https://historiaschistoria.blogspot.com/2017/01/calendarios-antigos – acesso em agosto de 2019

Ecured – Disponível em https://www.ecured.cu/Calendario_et%C3%ADope – acesso em agosto de 2019

Edson de Almeida

Bacharel em Direito, acadêmico de História e pesquisador da Teoria do Paleocontato e civilizações antigas.

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