Makhunik: Uma Antiga Cidade De Anões?

Pequena cidade e múmia anã descobertas no Irã parecem sair da famosa Fábula de Gulliver para a realidade!

Através de escavações ilegais na Fortaleza histórica de Gudiz, na província de Kerman, próximo a cidade de Shahad, foi encontrado um cadáver mumificado que deixou os mais experientes arqueólogos muito intrigados, pois após passar por análises iniciais forenses, as evidências levaram a crer que o pequeno ser possuía seus incríveis 20 a 25 cm e 16 ou 17 anos no momento da sua morte. Claro que esta descoberta fomentou muitos questionamentos quando os pesquisadores revelaram que o corpo mumificado pertencia a um anão adolescente que viveu no local, reforçando rumores antigos sobre a existência de uma cidade anã em Kerman, a cidade de Lilliput, descrita em As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift.

Segundo expõe o jornal Iran Daily de 19/12/2012 (http://old.iran-daily.com/1391/9/29/MainPaper/4403/Page/6/MainPaper_4403_6.pdf) a antiga vila em que a múmia foi encontrada não seria datada da era de Sassânida, mas seria sim, uma cidade ocupada inteiramente por anões que viveram nela há cerca de 5.000 anos atrás. O período sassânida, durante a Antiguidade Tardia, constituiu o último grande império iraniano antes da conquista muçulmana e a adoção do islamismo pela população local. É considerado um dos mais importantes e influentes períodos históricos da história da Pérsia e do Irã.

O jornal da época menciona que até 1946 ninguém poderia imaginar uma civilização antiga vivendo no deserto. No entanto, segundo estudos realizados pela Geography Faculty of Tehran University em 1946, olarias foram descobertas em Shahdad como prova de uma civilização que floresceu no deserto de Lut. Shahdad, cujo nome antigo é Khabis, está localizado100 km a leste de Kerman, no lado oeste do Deserto de Lut. É conhecido como Shahr-e Kotouleha que quer dizer (Cidade dos anões).

Entre tantos rumores e evidências sobre o Shahdad além das estranhas arquiteturas das casas, estão as vielas e equipamentos que poderiam ser utilizadas apenas por anões.

Edifícios com paredes muito baixas / Imagem: http://old.iran-daily.com/1391/9/29/MainPaper/4403/Page/6/MainPaper_4403_6.pdf

Durante as escavações na região, conduzidas no ano de 1948 a 1956,onde arqueólogos descobriram a suposta civilização anã pertencente à pré-história, por volta do final do 4º milênio aC e início do 3ºmilênio aC, foram encontrados além das olarias, fornos de cobre, cemitérios do 2º e 3º milênio a.C, artefatos: como arados, pérolas preciosas, etc…

Outros estudos arqueológicos revelaram subdistritos que sugerem terem sidos ocupados por joalheiros, artesãos e agricultores.

Após a descoberta desta grande cidade pequena e a propagação de histórias sobre um povo anão que pertenceria ao local, surgiram os rumores sobre o descobrimento da múmia anã de 25cm de altura! Seria ela a comprovação da existência desse povo de tão baixa estatura?

Suposto Anão de Kerman Imagem: http://www.payvand.com/news/05/nov/1155.html

Há relatos de que contrabandistas tentaram vender a Múmia na Alemanha pelo valor de 3 milhões de dólares. Logo que foram presos, notícias do pequeno e misterioso ser encontrado, espalhou-se por todos os cantos da província de Kerman.

Mas após 38 anos de escavações arqueológicas em Shahadad, arqueólogos vieram a jogar um balde de água fria na crescente crença sobre a existência de uma fantástica cidade de anões, dizendo que as paredes das construções descobertas, que possuíam apenas 80cm de altura, eram originalmente de 190 cm.

Segundo Mirabedin Kaboli, chefe de escavações arqueológicas na cidade de Sahahdad: “Algumas das paredes remanescentes têm 5 centímetros de altura, portanto, devemos afirmar que as pessoas que vivem nessas casas tinham 5 centímetros de altura?”

Em 16 de novembro de 2005, algum tempo depois da descoberta da múmia anã que despertou a curiosidade do mundo todo, a Payvand Iran News informou que estudos antropológicos constataram que o corpo pertencia a uma criança prematura mumificada naturalmente há cerca de 400 anos. De acordo com Farzad Forouzanfar, antropólogo do Patrimônio Cultural e Organização de Turismo do Irã: “Outras múmias também foram descobertas na província de Kerman, e sempre que um cadáver é exposto a algumas condições climáticas especiais, ele secará e mumificará naturalmente.”

Nader Alidadi Soliemani, arqueólogo do Patrimônio Cultural e da Organização de Turismo da província de Kerman diz que: “O esqueleto foi encontrado ao lado de um cemitério pertencente à era Seljúcida (900 anos atrás), mas os arqueólogos acreditam que ele deve remontar ao final do período islâmico. As pessoas viviam na região até a era Safávida, mas como não há artefatos ou inscrições ao lado da múmia, determinar a data exata de seu enterro é impossível.”

Teriam os contrabandistas espalhado os falsos rumores a fim de atribuir um valor exorbitante a múmia para vendê-la mais facilmente?

Sabe-se que até cerca de 100 anos atrás, alguns moradores de Makhunik mediam apenas 1 metro de altura.

Cidade de Makhunik Imagem: Mohammad M. Rashed

Ainda que os especialistas tenham determinado a idade real da múmia, descartando totalmente a possibilidade do cadáver ser de um adolescente anão, afirmaram que as gerações anteriores de moradores de Makhunik eram de fato mais baixas do que o normal. Acreditam que tenha sido a desnutrição a causadora da baixa estatura, pois a região era seca dificultando a criação de animais, haviam apenas lavouras de nabos, grãos, cevada e um tipo só de fruta, consistindo assim em uma dieta vegetariana.

A partir do século XX, com a construção de estradas e o aumento de veículos, os moradores de Makhunik puderam ter acesso a uma alimentação mais adequada, como arroz e frango, que chegavam de outros lugares do Irã.

Hoje em dia a maioria dos poucos habitantes de Makhunik tem estatura média, contudo há lembranças dos seus antepassados de estaturas mais baixas espalhadas por toda vila, pois das 200 casas de pedra e barro do local, 70 ou 80 são excepcionalmente baixas, variando entre 1,5 a 2 m – com tetos de até 1,4 m.

O fato é que contos e lendas sobre povoados de pessoas pequeninas existem espalhados por todo o mundo. A Ph.D, Dra. Susan B. Martinez expõe em seu livro “The Lost History of the Little People: Their Spiritually Advanced Civilizations around the World “, que uma antiga raça de pessoas com baixa estatura já habitou a Terra no passado. Seus estudos baseados em descobertas de pequenas redes de túneis, pequenos caixões, portas baixas em montes e cabanas de tamanho pigmeu parece trazer evidências incontestes da existência de um povo pigmeu para além das lendas e histórias que permeiam tantas culturas. Um exemplo são os deuses anões do México e Peru, o Menhune do Havaí, o Nunnehi dos Cherokee, assim como pigmeus africanos e o Semang da Malásia. A partir de seu extenso trabalho de pesquisa referente a existência de uma raça de anões, a autora passa a classificar este povo como um elo perdido da pré-história. Uma civilização ancestral que no decorrer do tempo passou a ser santificada e/ou vistos como deuses.

Relevo com Bes e Beset MUSEU ALLARD PIERSON Inv.no. APM 7947 Datação: ÉPOCA BAIXA 644-335 PROVENIÊNCIA DESCONHECIDA Categoria: RELEVO Material: CALCÁRIO Técnica: ALTO RELEVO Altura: 32 cm Comprimento: 23.5 cm Profundidade: 3.1 cm Imagem http://www.fascinioegito.sh06.com/portugese57.htm

Teria a mídia se antecipado aos fatos reais da descoberta levada pelo calor dos inúmeros boatos que correram, transformando-os em sensacionalismo?

O que podemos concluir diante de tantos boatos, tantas   informações e afirmações, é que segundo as últimas análises arqueológicas, a múmia é tão somente restos humanos de um bebê prematuro, contudo lendas ou histórias da existência de um povo pigmeu não está presente somente na cultura iraniana, mas em muitas outras. Elas vivem há tempos no imaginário humano ao redor do mundo. Despertam muitas curiosidades gerando boatos de toda natureza, mas também revelam fatos intrigantes que nos levam a questionar, buscar encontrar respostas, que por algum motivo ou não, possam estar escondidas.


Referências:

https://www.ancient-origins.net/ancient-places-asia/makhunik-ancient-city-little-people-001695

http://old.iran-daily.com/1391/9/29/MainPaper/4403/Page/6/MainPaper_4403_6.pdf

http://www.cais-soas.com/News/2005/October2005/20-10-25.htm

https://www.terra.com.br/diversao/arte-e-cultura/a-antiga-cidade-de-anoes-do-ira-em-que-os-moradores-mediam-1-metro,ce2b0d65232549ba8db2696a2998de730vjyx78l.html

http://www.bbc.com/travel/story/20180109-irans-ancient-village-of-little-people

SUSAN B. MARTINEZ PH.D. The Lost History of the Little People: Their Spiritually Advanced Civilizations around the World. Paperback – March 25, 2013

http://www.fascinioegito.sh06.com/ramal20.htm

Lucília Reale

Curiosa pesquisadora das mais diversas áreas do conhecimento, autora de variados tipos de textos, expostos em https://www.recantodasletras.com.br/escrivaninha/publicacoes/index.php

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