A Teoria dos Antigos Astronautas – Como Tudo Começou

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A Teoria dos Antigos Astronautas, ou por alguns chamada de Paleoarqueologia, ou ainda paleo-SETI (do inglês paleo Search for Extraterrestrial Intelligence – paleo busca por inteligência extraterrestre), ou paleocontato (visto que se refere a possíveis visitas de seres extraterrestres altamente desenvolvidos à Terra durante o período Paleolítico) é considerada um mito moderno e uma subciência por muitos. No entanto, o desejo da humanidade em encontrar a vida fora da Terra que tenha auxiliado nossa evolução como civilização iniciou-se há muito e foi propagada pelos escritores de ficção científica já no século XIX. Descubra o início dessa busca pelo começo dos tempos e o Elo Perdido da paleo arqueologia mundial e veja uma breve reflexão sobre a popularidade de textos dessa natureza.

Paleocontato, ou a visitação de seres extremamente inteligentes e tecnologicamente desenvolvidos em nosso planeta no período que data entre 2.7 milhões a 10.000 anos de nossa história, é uma teoria que busca explicar a criação da vida na Terra por semeadura extraterrena. Tal hipótese é geralmente dividida em duas correntes de pensamento: a primeira, como a origem da Teoria do Design Inteligente, mais conhecida como a linha que explicaria a criação do Sistema Solar, dos planetas, da vida animal e vegetal, bem como da gênese humana, com um propósito definido. A segunda teoriza que esses seres chegaram em um ambiente já desenvolvido e que encontraram vasto terreno de pesquisa, principalmente sobre DNA. Dessa forma, passaram a explorar as possibilidades encontradas na fauna e na flora, especialmente entre símios, gerando inúmeras raças humanas, até a fase final do estudo, que culminou no Homo Sapiens. Durante as experimentações, os seres alienígenas supostamente compartilharam conhecimentos científicos avançados, o que teria sido uma possível razão para serem confundidos com Deuses, por seu alto poder tecnológico.

 

Nos dias atuais, o mito da Teoria dos Antigos Astronautas tornou-se extremamente popular com o advento da tecnologia do cinema e do vídeo. Tão logo cineastas conseguiram criar histórias em que extraterrestres visitavam o planeta em busca de um local para ampliar sua população e para exploração da Terra, o imaginário popular passou a divagar e a questionar uma série de postulados científicos antes nunca contraditos. Porém, o início da especulação de que outras culturas já haviam pisado o planeta e conduzido experimentos em nosso solo vem de muito antes, especialmente do oriente. Textos históricos, como os épicos indianos Ramayama e Maabárata, datando de 100 a 200 a.C. já descreviam batalhas semelhantes a conflitos nucleares e abduções por parte de “demônios”, ou seres que não eram reconhecidamente humanos. Descrições de naves espaciais e vestimentas metálicas também estavam presentes nesses textos. Na Bíblia cristã, há muitos relatos de devotos sendo “arrebatados” por “bolas de fogo” e seres envoltos por uma aura de luz, além de figuras históricas como o profeta Elias, que ascende aos céus depois de “se transformar em luz”. Mais recentemente, a literatura de ficção científica, em seus primórdios datando do século XIX, prontamente deu início à procura por indícios de que seres altamente desenvolvidos tenham-nos trazido tecnologia de ponta. No entanto, boa parte dos textos ficcionais mostravam batalhas estelares que se desenrolavam em tempos modernos ou no futuro, e não no passado. Isso, no entanto, não foi uma razão para que o interesse geral no tema diminuísse; ao contrário, ampliou ainda mais o anseio de pesquisadores amadores a iniciar uma jornada que se tornou grandiosa nas três últimas décadas do século XX, que passou a se desconectar da vertente religiosa e a se aproximar de um viés científico.

Consequentemente, grandes nomes da paleoarqueologia, tais como Erich Von Däniken, Zecharia Sitchin, Robert Temple, e o contemporâneo (e quase pop star) Giorgio A. Tsoukalos, têm nos contemplado com achados surpreendentes ao redor do mundo, em expedições por vezes bem remuneradas e atestadas por respeitados meios de comunicação, tais como o History Channel, do grupo A&E Networks. Tsoukalos, por exemplo, ancora o bem recebido programa “Alienígenas do Passado” desde 2009, um sucesso do canal. Däniken e Sitchin, por sua vez, têm suas obras entre os mais conhecidos best-sellers de todos os tempos na área de estudos paleo arqueológicos. Apesar de não ser uma unanimidade e por ter sido contestado em suas teorias, Däniken continua a ser um dos mais respeitados e requisitados escritores no ramo, o que exemplifica a popularidade do tema.

Conforme estudo conduzido por Pössel (2005, apud RICHTER, 2012), acredita-se que a primeira obra literária e de cunho não-religioso a apresentar visitas extraterrestres em tempos pré-históricos tenha sido o romance Edison’s Conquest of Mars (A Conquista de Marte por Edison), de Garrett P. Serviss, publicado em 1898. O tema central do romance é de que marcianos tenham construído as pirâmides do Egito, inspirando a ideia de que tais construções não tenham origem humana. Essa teoria, de que extraterrestres tenham sido os responsáveis pelas inúmeras edificações piramidais ao redor do globo, tem sido amplamente divulgada e estudada por paleoarqueólogos.

Uma outra descoberta de Pössel (2005, apud RICHTER, 2012) é a de que a obra Dois Planetas (do original em alemão Auf zwei Planeten), de Kurd Lasswitz, provavelmente foi o texto ficcional pioneiro em trazer à tona a discussão de que seres possuidores de alta tecnologia tenham sido confundidos com deuses na Antiguidade. Esse contato, também chamado de contato assimétrico cultural, pela discrepância em tecnologia, entrou para o interesse do público na mesma época que o paleo contato descrito por Serviss, em 1897. Antes desse estudo, outros textos não-ficcionais já traziam descrições detalhadas de contatos alienígenas com humanos, como o acadiano “O Épico da Criação”, que narra a geração de todo nosso sistema e o surgimento da vida, em uma hibridação entre seres criados por uma raça chamada Anunnaki.

Um outro fato curioso e histórico sobre a Teoria dos Antigos Astronautas aconteceu quando H. G. Wells publicou A Guerra dos Mundos (do original em inglês The War of the Worlds), em 1897. O realismo da história fez arrepiar muitos dos leitores, que começaram a buscar artefatos escondidos em solo americano. Mais adiante, durante a primeira versão radiofônica do romance a ser levada ao ar, milhares de ouvintes entraram em pânico com a possibilidade de estarem ouvindo uma transmissão real de invasão alienígena, em 30 de outubro de 1938. Essa, de acordo com autoridades governamentais das grandes potências mundiais, talvez seja a principal razão para que a humanidade não tenha acesso completo a dados sigilosos sobre paleo artefatos, avistamentos e possíveis traços de visitas alienígenas em tempos antigos. Dessa forma, pânico e tensão têm sido o argumento utilizado para a não abertura de informações nessa área de pesquisa.


Muitas evidências têm sido encontradas ao redor do planeta, comprovando a presença humana em tempos remotos, até mesmo em períodos em que o ser humano convivia com dinossauros. Pegadas fossilizadas, desenhos rupestres e ooparts, que recuam a história da humanidade a milhões de anos anteriores à teoria do surgimento em cerca de 100 mil anos. No entanto, a ciência tradicional mantém-se firme em negar a Teoria do Antigo Astronauta de que o início da vida no planeta advenha de outras partes do universo.

Ashworth (1980) denominou essa busca “pseudocientífica” (assim definida pelos pesquisadores tradicionais) de “ciência popular” (popular science, em inglês), uma vez que suas origens estão no estudo feito por pessoas comuns, sem formação acadêmica para tal. Assim, chama-se “popular” pelo caráter revolucionário e inovador que busca trazer nas expedições, embora seus resultados tenham sido promissores e de grande contribuição cientifica. Por vezes, tais contribuições permanecem ignoradas pela arqueologia tradicional, inclusive sendo ridicularizadas por serem consideradas anomalias. Entretanto, conforme Ashworth (1980) aponta em seu estudo, o simples fato de serem anômalas já as fariam dignas de investigação.

Sítios arqueológicos famosos, tais como Stonehenge, Old Sarum e Calanais, no Reino Unido, apresentam formações megalíticas circulares que, de acordo com estudos tradicionais, não seriam mais do que pedras alocadas de forma aleatória e sem propósito. Contudo, seria irracional pensar neste momento histórico que civilizações dar-se-iam ao trabalho de erguer tais construções apenas pelo fato em si. Pensadores da Antiguidade, tais como Platão, já observavam textos e relatos orais ainda mais antigos sobre estruturas desse porte e questionavam as razões de sua existência. Platão, por sua vez, foi o criador de um dos mitos mais conhecidos de nossa história, Atlântida. Essa seria uma cidade em formato circular, muito semelhante às construções supramencionadas, localizada em algum ponto da Europa ou até mesmo no oceano Atlântico. Se anomalias como essas causavam reflexão há mais de três mil anos, por que deveriam passar incólumes à ciência contemporânea?

Estudos como os de Carroll (1977) já demonstravam a insatisfação do grande público com a conotação de preterição que é dada à Teoria dos Antigos Astronautas pela comunidade científica considerada “profissional”. Porém, autores com o próprio Däniken, Heyerdahls ou Velykovskys têm seus livros nas prateleiras dos mais aclamados best-sellers e são garantia de diversão em leitura e pesquisa. O grande questionamento é: sobre o que escrevem essas pessoas que atraem o olhar e a curiosidade de tantos indivíduos pelo mundo, sendo ignorados pelas publicações acadêmicas de renome, e não tendo comprovações por peer debrief e provas supostamente ambíguas, empíricas? Carroll afirma que “estas teorias resolvem os mesmos dilemas resolvidos pelos mitos nas culturas primitivas, e é isso que conta para sua tremenda popularidade” (CARROLL, 1977: 542). Assim, juntam-se mitos e relatos históricos de seres “vindos do céu”, um proposto que está presente em diversas peças de folclore mundial, a uma nova teoria que tenta explicar dilemas universais.

Habitantes de diversas culturas do planeta vem há muito em busca de respostas a questões essenciais que pareciam não conseguir ser solucionadas pela mitologia tradicional, tampouco pela ciência contemporânea. Dessa forma, a literatura de ficção científica de raiz e os novos teóricos dos antigos astronautas parecem ter tomado o local de decifradores de oposições universais, trazendo ao esclarecimento um entendimento há séculos buscado pelos curiosos e observadores de fenômenos comuns a todos os continentes. Consequentemente, enquanto a ciência denominada ortodoxa, e oficial, não se prontificar a promover estudos que analisem de fato as concepções trazidas por esses supostos “pseudo-autores”, muito pouco poderá ser afirmado, sequer questionado, a respeito do trabalho bem-sucedido de Dänikens e Sitchins, uma vez que a metodologia científica não permite apenas a observação do fenômeno.


Referências:
ASHWORTH, C. E. (1980). Flying Saucers, Spoon-Bending and Atlantis: A Structural Analysis of New Mythologies. The Sociological Review, 28(2), 353–376. doi:10.1111/j.1467-954x.1980.tb00369.x. Disponível em < http://sci-hub.tw/http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1111/j.1467-954X.1980.tb00369.x?journalCode=sora>. Acesso em 17 set. 2018.
CARROLL, M. (1977). Of Atlantis and Ancient Astronauts: A Structural Study of Two Modern Myths. The Journal of Popular Culture, 11(3), 541–550. doi:10.1111/j.0022-3840.1977.00541.x. Disponível em < http://sci-hub.tw/https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/j.0022-3840.1977.00541.x>. Acesso em 23 set. 2018.
DAVIES, P. E.T. and God – Could earthly religions survive the discovery of life elsewhere in the universe? The Atlantic. EUA, setembro de 2003. Disponível em < https://www.theatlantic.com/magazine/archive/2003/09/et-and-god/376856/>. Acesso em 19 set. 18.
PÖSSEL, M. apud RICHTER, J. Traces of the Gods: Ancient Astronauts as a Vision of our Future. Numen Vol. 59, No. 2/3, Alternative Archaeology (2012), pp. 222-248 (27 pages). Disponível em <https://www.jstor.org/stable/23244960?seq=3#metadata_info_tab_contents>. Acesso em 16 set.18.

É professora de inglês e português para estrangeiros, tradutora, psicoterapeuta e mestre reikiana. Também é mestre em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC/SP e mestre em Educação Internacional pela Framingham State University. Fã de rock clássico e fotografia, Ana adora pesquisar sobre os mistérios do planeta e do universo, além de terapias holísticas e espiritualidade.

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